<?xml version="1.0" encoding="UTF-8" standalone="yes"?><oembed><version><![CDATA[1.0]]></version><provider_name><![CDATA[o absurdo]]></provider_name><provider_url><![CDATA[https://absurdo.wordpress.com]]></provider_url><author_name><![CDATA[Eduarda Sousa]]></author_name><author_url><![CDATA[https://absurdo.wordpress.com/author/absurdo/]]></author_url><title><![CDATA[sou toda ouvidos]]></title><type><![CDATA[link]]></type><html><![CDATA[<p style="text-align:justify;">Não sei se é o <a href="https://absurdo.wordpress.com/2008/08/21/depressao-pos-mancha-humana/" target="_blank">tal</a>, mas para já arrancou-me à depressão moribunda pós-mancha humana. O autor não é desconhecido para mim, aliás, já me tinha maravilhado com esta pequena obra-prima: <em>O Segredo de Joe Gould</em>. <strong>Joseph Mitchell</strong> é o rei, ou antes o melhor escritor-jornalista-literário de todos os tempos.</p>
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<p style="text-align:justify;">Mas não se fique com a ideia de que os «moedores de ouvidos» me aborrecem. As únicas pessoas que não estou interessado em ouvir são as mulheres da alta-roda, os grandes industriais, os autores reputados, os ministros, os exploradores, os actores de cinema , assim como qualquer actriz com menos de 35 anos. Acho que os seres humanos mais interessantes, no que toca a conversas, são os antropólogos, camponeses, prostitutas, psiquiatras, e um ou outro <em>barman</em>. As melhores conversas são sem artifícios, a fala de pessoas procurando tranquilizar-se ou consolar-se mutuamente, mulheres ao sol, agrupadas à volta de carrinhos de bebé, falando sobre as semanas que passaram no hospital ou sobre a subida do preço da carne, ou a de homens nos bares, falando para combaterem a solidão que todos sentem.</p>
</blockquote>
<p style="text-align:center;">Joseph Mitchell, in <em><strong>Sou Todo Ouvidos</strong></em>. Lisboa: Ambar, 2006</p>
]]></html></oembed>