<?xml version="1.0" encoding="UTF-8" standalone="yes"?><oembed><version><![CDATA[1.0]]></version><provider_name><![CDATA[o absurdo]]></provider_name><provider_url><![CDATA[https://absurdo.wordpress.com]]></provider_url><author_name><![CDATA[Eduarda Sousa]]></author_name><author_url><![CDATA[https://absurdo.wordpress.com/author/absurdo/]]></author_url><title><![CDATA[bom dia, bom dia, mas que belo&nbsp;dia]]></title><type><![CDATA[link]]></type><html><![CDATA[<p><img data-attachment-id="1964" data-permalink="https://absurdo.wordpress.com/2009/10/06/bom-dia-bom-dia-mas-que-belo-dia/kapuscinski/" data-orig-file="https://absurdo.files.wordpress.com/2009/10/kapuscinski.jpg" data-orig-size="132,200" data-comments-opened="1" data-image-meta="{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;}" data-image-title="Kapuściński" data-image-description="" data-medium-file="https://absurdo.files.wordpress.com/2009/10/kapuscinski.jpg?w=132" data-large-file="https://absurdo.files.wordpress.com/2009/10/kapuscinski.jpg?w=132" class="aligncenter size-full wp-image-1964" title="Kapuściński" src="https://absurdo.files.wordpress.com/2009/10/kapuscinski.jpg?w=132&#038;h=200" alt="Kapuściński" width="132" height="200" /></p>
<p>Papei ontem <strong>Os Cínicos Não Servem Para Este Ofício</strong> de <strong>Ryszard Kapuscinski</strong>. Não conseguiria descrever o intenso prazer que senti com a melhor conversa sobre o bom jornalismo que já presenciei. Diz Kapuscinski,</p>
<blockquote><p><em>Creio que para fazer bom jornalismo devemos ser, antes de mais, homens bons ou mulheres boas: seres humanos bons. Pessoas más não podem ser bons jornalistas. </em></p>
<p><em>(&#8230;)<br />
</em></p>
<p><em>Neste sentido, a única maneira de fazer bem o nosso trabalho é desaparecermos, esquecermo-nos da nossa existência. Nós só existimos como indivíduos que existem pelos outros, que partilham os seus problemas e tentam resolvê-los ou, pelo menos, descrevê-los. </em></p>
<p><em>(&#8230;)<br />
</em></p>
<p><em>Há muitos casos como este, mas era só para dizer que no nosso ofício, muitas vezes, temos de prestar mais atenção ao que se passa simplesmente à nossa volta &#8211; que faz, exactamente, parte dos </em><em>imponderabilia -, do que ao que se diz na rádio, na televisão ou nas conferências de imprensa. </em></p></blockquote>
<p>Para além do jornalismo, também encontramos conversas de outras águas. Vamos por ali, escutamos Kapuscinski, até chegarmos a outra entrevista digna de memorização: a conversa entre o repórter polaco e <a href="https://absurdo.wordpress.com/2008/05/22/e-os-nossos-rostos-meu-amor-fugazes-como-fotografias/" target="_blank">John Berger</a>. Diz Kapuscinski,</p>
<blockquote><p><em>Habitualmente ignoramo-las. Vemos dezenas delas por dia. E não nos damos conta de que para compreender as fotografias e a literatura é necessário uma participação activa. Não conseguimos compreender as fotografias se não nos colocarmos no lugar de criadores activos. </em></p></blockquote>
<p>E Berger,</p>
<blockquote><p><em>Quando Kapuscinski e eu falamos de atenção, é justamente porque viramos as costas ao ecrã e procuramos regressar à vida real e aqui exige-se atenção. Às vezes é muito difícil dar essa atenção. Não é uma atenção de natureza sentimental, de modo nenhum. É aquela que as crianças aprendem na brincadeira, antes de a escola intervir fazendo com que desaprendam. </em></p></blockquote>
<p>Para um jornalista, ler Kapuscinski não é um dever. É uma obrigação.<em><br />
</em></p>
]]></html><thumbnail_url><![CDATA[https://i0.wp.com/absurdo.wordpress.com/files/2009/10/kapuscinski.jpg?fit=440%2C330]]></thumbnail_url><thumbnail_width><![CDATA[132]]></thumbnail_width><thumbnail_height><![CDATA[200]]></thumbnail_height></oembed>