<?xml version="1.0" encoding="UTF-8" standalone="yes"?><oembed><version><![CDATA[1.0]]></version><provider_name><![CDATA[o absurdo]]></provider_name><provider_url><![CDATA[https://absurdo.wordpress.com]]></provider_url><author_name><![CDATA[Eduarda Sousa]]></author_name><author_url><![CDATA[https://absurdo.wordpress.com/author/absurdo/]]></author_url><title><![CDATA[um poema, por ser&nbsp;domingo]]></title><type><![CDATA[link]]></type><html><![CDATA[<p><a href="https://absurdo.files.wordpress.com/2010/01/walkmen.jpg"><img data-attachment-id="2022" data-permalink="https://absurdo.wordpress.com/2010/01/03/um-poema-por-ser-domingo/walkmen/" data-orig-file="https://absurdo.files.wordpress.com/2010/01/walkmen.jpg?w=270&#038;h=305" data-orig-size="270,305" data-comments-opened="1" data-image-meta="{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;}" data-image-title="walkmen" data-image-description="" data-medium-file="https://absurdo.files.wordpress.com/2010/01/walkmen.jpg?w=270&#038;h=305?w=266" data-large-file="https://absurdo.files.wordpress.com/2010/01/walkmen.jpg?w=270&#038;h=305?w=270" class="aligncenter size-full wp-image-2022" title="walkmen" src="https://absurdo.files.wordpress.com/2010/01/walkmen.jpg?w=270&#038;h=305" alt="" width="270" height="305" srcset="https://absurdo.files.wordpress.com/2010/01/walkmen.jpg 270w, https://absurdo.files.wordpress.com/2010/01/walkmen.jpg?w=133&amp;h=150 133w" sizes="(max-width: 270px) 100vw, 270px" /></a></p>
<p>Um dia destes, aconcheguei-me à lareira com uma chávena de chá e intrometi-me na conversa do Manuel de Freitas e do José Miguel Silva. Fica um dos poemas que mais gostei, assinado pelo primeiro.</p>
<blockquote><p><em>NEXT TO NOTHING</em><br />
Não acordei com o teu corpo,<br />
mas com um verso<br />
que me parece agora<br />
o mais triste do mundo:<br />
Le tuve tan cerca.</p>
<p>Foi verdade, foi tão depressa<br />
mentira &#8211; acabarmos juntos<br />
no último bar. Ou apertar-te<br />
em plena desrazão os ombros,<br />
o pescoço baixo,<br />
a cor indecisa dos cabelos.<br />
Enquanto se partem tão<br />
tristes os tristes copos<br />
que nessa noite derrubei &#8211; e eras tu.</p>
<p>Não sei o que te disse, que<br />
outras partes de quem foste<br />
toquei ou perdi. De qualquer modo,<br />
perdi. E foi, só podia ser,<br />
demasiado triste: dois corpos<br />
que ninguém via desciam a rua<br />
da Misericórdia, já perto da manhã.<br />
Aquela nenhuma distância<br />
não pôde ser um beijo. Apenas derrota,<br />
ressaca, mais uma canção sem nós.</p>
<p>Tu não sabes &#8211; e ainda bem &#8211; que<br />
este homem te desejou todas as noites,<br />
até que fechasse o bar. Este homem<br />
que não deseja e que tem,<br />
infelizmente, um nome igual ao meu.</p>
<p>Da próxima vez, quero estar menos<br />
bêbedo, saber se apanhámos<br />
ou não o mesmo táxi. Mas<br />
«da próxima vez» nunca existirá.</p></blockquote>
<p>Walkmen saiu em 2007 e ainda contou com a composição e paginação do saudoso Olímpio Ferreira. Podem ler uma excelente recensão <a href="http://rascunho.iol.pt/critica.php?id=1345" target="_blank">aqui</a>.</p>
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