<?xml version="1.0" encoding="UTF-8" standalone="yes"?><oembed><version><![CDATA[1.0]]></version><provider_name><![CDATA[A ILHA DOS AMORES - I]]></provider_name><provider_url><![CDATA[https://ailhadosamores.wordpress.com]]></provider_url><author_name><![CDATA[Terpsichore]]></author_name><author_url><![CDATA[https://ailhadosamores.wordpress.com/author/ilhadosamores/]]></author_url><title><![CDATA[O caminho dos Contos de Fadas para a&nbsp;Sabedoria]]></title><type><![CDATA[link]]></type><html><![CDATA[<p>Em vez de ingénuos e irreais, pelo contrário, contentores de segredos? Assim penso. Falo dos contos de fadas.</p>
<p>O mal foi que, incompreendidos, foram pervertidos, mal interpretados &#8211; enfim, são uma fonte de saber e riqueza a descobrir.</p>
<p>Grande parte da sabedoria que os contos de fadas podem semear no coração e entendimento de uma criança, está esquecida. Os contos de fadas existiam já numa era em que ainda não se compreendia a existência de um inconsciente, ou da crucialidade do amor para o crescimento emocional &#8211; e substituiam uma parte dessa incompreensão.</p>
<p>Surpreendeu-me, não ter encontrado tanto no Ballet como na Ópera, interpretações da Gata Borralheira um pouco mais próxima daquilo que  o conto trata; os contos de fadas são muito reais &#8211; embora óbviamente, sejam formados de símbolos. Mas o que fazem deles, sim, é irreal, e estraga tudo.</p>
<p>Com tanta falta de compreensão dos contos de fadas, com repetido cinismo sobre os &#8221;príncipes inexistentes&#8221;, e &#8221;a mulher passiva que fica à espera&#8221; (e não devia ficar &#8211; como se a resistência à maldade e ao mau-trato não fosse já o grande trabalho e victória que dela se exige), com as versões comerciais Walt Disney, mais as desgraças televisivas que substituiem os contos, na nossa infância, não admira os desertos emocionais, confusões e tristezas em que vivemos, num século que prometia a libertação, aliviar o sofrimento psicológico. No fundo os Contos formavam um contexto para uma linguagem e cultura da emoção e do amor, dando estabilidade mínima nesse mundo escorregadio.</p>
<p>Não admira que os contos de Fadas fossem sobre o amor, príncipes e princesas, e que acabassem com o &#8221;casaram-se e viveram muito felizes&#8221;. Porque eles eram uma linguagem do crescimento (ou sobrevivência, para alguns) psicológico e espiritual, e dos primeiros passos da conquista de si próprio, para a conquista do amor e do bem.</p>
<p>Este querer encontrar dificuldades que é bom vencer, é tão diferente do desejar encontrar tudo já pronto, imediato, exactamente como nós queremos; isto é, no seu estádio final. O mundo dos contos é pleno de transformações &#8211; constituindo praticamente um ensinamento interior, profundo. A recompensa do belo e da felicidade não se apresenta logo acessível, mas é a coroa de uma série de passos e processos, em que está sempre presente as coisas não serem aquilo que aparentam por fora, o engano da exterioridade das coisas, que revelam outras, por vezes opostas, se não se desiste face ao que ao egoísmo desagrada, passando assim a merecê-las. Na verdade que maior força do que essa tensão entre o desejo amoroso por simples egoísmo &#8211; querer algo intensamente para a satisfação directa de suas pulsões, (como se algo de nobre houvesse nisso!) ou a força do amor que vence esse egoísmo, querendo antes dar e construir em conjunto,  descobrindo assim verdadeira satisfação e prazer que não se desfaz?</p>
<p>___________________________________</p>
<p>(E no entanto, tenho que dizer tudo isto de uma outra maneira&#8230; isto é tudo&#8230;remendos, miseráveis, medidas de urgência aos pés do acidente, mais nada. E, mal feitas, reconheço. Trapos! Isto é como lufadas de respiração boca à boca. Tentativas por entre os escombros. Desageitos que faço enquanto caminho o abismo. Como se nada fosse. Como se nada fosse.</p>
<p>Mas não é só isto. São os meus defeitos terríveis com que me debato. Visto tão facilmente minha alma de novo&#8230; de Esperança&#8230;</p>
<p>Ah como me cansa este adiar, eterno adiar. De tudo.</p>
<p>A perfeição está sempre escondida, é interna às coisas, não é sua roupa.</p>
<p>Ah! Repara: nos filmes, quanto pior a qualidade, mais a mulher ao passar situações de desgraça, que exigiriam o contrário, fica igualmente composta e maquillada&#8230; impecável para o perpétuo <em>consumo.</em></p>
<p>Mas <em>nele, como eu</em>. Também eu, se conquistasse a felicidade, perdia-me. Não sou forte ainda. É preciso saber permanecer nu na felicidade. É preciso o impossível. Não estou pronta para ela. Antes infeliz, clamando o desespero do que prisioneira em caverna enfeitada.</p>
<p>Quando tiver tempo, talvez seja necessário dividir este &#8221;texto&#8221;.  Assim, por enquanto &#8211; é da maneira que quase ninguém o lerá&#8230; 🙂 e assim deve ser. É um pouco como o poeta verde: escrevia as suas palavras de sangue &#8211; ao mesmo tempo, contraditóriamente desejava que ninguém o lesse, cair no esquecimento! que desaparecessem os vestígios que tanto se esforçava por deixar!</p>
<p>Adeus. Agora vou mesmo <em><strong>&#8221;trabalhar&#8221;, bordar o meu rendado das dificuldades supremas. </strong></em>Não sei se volto. A fuligem é muita.)</p>
<p>__________________________________<br />
Em baixo, a Gata Borralheira no Ballet:</p>
<p>Ambas as cenas são do princípio do bailado, em que a Gata Borralheira imagina encontrar o seu par. Na segunda versão, de coreografia mais contemporânea, trata-se, julgo eu, de um ensaio no estúdio, e inclui as irmãs más, cómicas de ver.</p>
<p>No entanto, embora o ballet e a ópera (esta está <em><strong>por enquanto</strong></em> no Lira de Terpsichore) sejam belos de ver, não será que, na vida, onde tudo aparenta ser o oposto, as irmãs em vez de feias, são as mais bonitas por fora, e a Gata Borralheira está coberta de fuligem, e as suas mãos rasgadas seguram amarguras&#8230;?</p>
<p>Não admira que os príncipes andem todos confusos, e procurem e desposem tanta mulher bonita que a vida errada, e ânsia, transforma em feia, (vi ontem fotografias de muitas jovens portuguesas, seus rostos sulcados por dores aprisionadas e trabalho demasiado) &#8211; em vez de encontrarem &#8221;borralheiras&#8221; amarguradas, &#8211; talvez &#8211; ou até &#8221;mortas&#8221; que se transformam na própria beleza que é felicidade, Alegria.</p>
<p>Nada como alguém que conheceu a mais profunda infelicidade, o Poço, para conhecer o caminho para a felicidade, para o reconhecimento do essencial. Aliás, um dos significados destes contos! &#8211; por isso <strong><em>estas infelizes, as mal amadas, sempre, é que se destinavam à felicidade!</em></strong></p>
<p>Que longo &#8221;postal&#8221;! Talvez, como o caminho para esse Encontro!&#8230;</p>
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<p class="img marT0"><a rel="nofollow" href="http://www.youtube.com/watch?v=Ugn91USQqTQ&amp;mode=related&amp;search="><img class="vimgSm" src="https://i0.wp.com/img.youtube.com/vi/Ugn91USQqTQ/default.jpg" alt="" /></a></p>
<p class="title"><a id="video_title_text_2_1657_250" rel="nofollow" href="http://www.youtube.com/watch?v=Ugn91USQqTQ&amp;mode=related&amp;search=">Alina Cojocaru as Cinderella (2003), dancing with the Broom</a><br />
<span class="runtime">04:10</span></p>
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<p class="img marT0"><a rel="nofollow" href="http://www.youtube.com/watch?v=FOMSd5WkYS0&amp;mode=related&amp;search="><img class="vimgSm" src="https://i1.wp.com/img.youtube.com/vi/FOMSd5WkYS0/default.jpg" alt="" /></a></p>
<p class="title"><a id="video_title_text_5_26629_267" rel="nofollow" href="http://www.youtube.com/watch?v=FOMSd5WkYS0&amp;mode=related&amp;search=">&#8220;Cinderella&#8221; Staatsballett Berlin 1</a><br />
<span style="display:inline;">04:27     Polina Semionova dances.<br />
Malakhov&#8217;s &#8220;Cinderella&#8221;<br />
Staatsballett(Berlin Staatsoper Ballet)</span></p>
]]></html><thumbnail_url><![CDATA[https://i0.wp.com/img.youtube.com/vi/Ugn91USQqTQ/default.jpg?fit=440%2C330]]></thumbnail_url><thumbnail_width><![CDATA[]]></thumbnail_width><thumbnail_height><![CDATA[]]></thumbnail_height></oembed>