<?xml version="1.0" encoding="UTF-8" standalone="yes"?><oembed><version><![CDATA[1.0]]></version><provider_name><![CDATA[Amor em teoria]]></provider_name><provider_url><![CDATA[https://amoremteoria.wordpress.com]]></provider_url><author_name><![CDATA[[MJL]]]></author_name><author_url><![CDATA[https://amoremteoria.wordpress.com/author/mjmlm/]]></author_url><title><![CDATA[A dança das&nbsp;cedências]]></title><type><![CDATA[link]]></type><html><![CDATA[<p>[Na Prática]</p>
<p>Cedência.<br />
Procurei na internet um significado que me ajudasse a colocar em perspectiva esta palavra e não encontrei. Procurei na minha &#8220;base de dados interna&#8221;, vulgo &#8220;cabeça&#8221; 🙂 e, recheada de experiências (minhas e dos outros) é aqui que chego: a capacidade que cada um tem de abdicar de exigências / comportamentos / hábitos próprios, em prol do bem estar de outrem, quando tal não interfere com o seu verdadeiro bem estar.<br />
Se é correcto este significado? Não sei&#8230; sei apenas que me serve. 🙂</p>
<p>É fácil iniciarmos uma nova relação e, no ímpeto da novidade, do calor da paixão e da entrega, ambas as partes começarem por &#8220;ceder&#8221;, na ânsia de conhecer, de entrar no mundo do outro, de explorar e fazer parte. Tudo é simples, tudo é &#8220;permitido&#8221;. É o momento de experimentar limites e perceber (ainda que de forma inconsciente) reacções. E é tão bom desafiarmo-nos a fazer e pensar diferente. 🙂</p>
<p>À medida que o tempo avança, em que as rotinas se começam a instalar, em que existe um tipo de certeza de já fazer parte da vida daquela pessoa, pode ser fácil começar a criar algumas barreiras de entendimento, pois duas vontades / percepções distintas em relação à mesma situação surgem. É quando as rotinas e hábitos pessoais voltam a clamar o seu espaço&#8230; 🙂 Estar atento aos sinais que conduzem a esse tipo de desentendimento é importante, para garantir que se torna saudável, em vez de tóxico para a relação.</p>
<p>Em nenhum momento, fazermos as coisas de forma diferente nos leva a deixarmos de ser nós próprios, a não ser quando isso entra directamente em confronto com o que são os nossos valores e crenças mais profundas e isso nos gera desconforto. Nessa altura é bom parar e conversar. 🙂</p>
<p>Dan Savage toca neste tema e, de forma muito simples, aborda o &#8220;<a href="https://amoremteoria.wordpress.com/2015/05/21/quanto-vale-a-tua-relacao/">price of admission</a>&#8220;. Uma abordagem clara e objectiva, que incentiva cada pessoa e aumentar o seu autoconhecimento e a identificar os &#8220;botões&#8221; que tipicamente despoletam algum tipo de desconforto face à atitude / comentário / estilo de vida da outra parte. Aquela altura em que o nosso grau de &#8220;exigência&#8221; sobe e a palavra &#8220;cedência&#8221; começa a ser invocada, porque &#8220;tem de haver cedências de parte a parte&#8221;. 😉</p>
<p>Quando este tipo de argumento começa a surgir, é importante nos colocarmos uma questão: o que gera verdadeiramente o desconforto (meu ou da outra parte), perante a diferença? É uma questão de valores ou apenas de rotina e hábitos? Se tem a ver com valores, percebe se se enquadram nos teus ou se colidem à partida. Conversa sobre isso, e <a href="https://amoremteoria.wordpress.com/2015/04/23/decidir-com-amor/">decide com o coração</a>.  Se tem a ver apenas com a rotina que cada um se habituou, pára, respira, sente e expõe o teu ponto de vista. Criem o vosso próprio espaço e rotina, que caminha lado a lado com a rotina de cada um. Tenho a crença de que é disso que são feitos os grandes amores. 🙂</p>
<blockquote>
<p style="text-align:center;"><em>Do not leave yourself to find someone else</em></p>
<p style="text-align:center;"><em>Rune Lazuli</em></p>
</blockquote>
<p>Na minha cabeça, quando falamos de cedências, falamos de respeito. Primeiro por nós próprios, por quem somos e pelo que são os nossos valores. Em paralelo, respeito pelo outro e pelo que é importante para si. Se em algum momento conseguirmos dar resposta a algo que para o outro é verdadeiramente importante, ainda que não fizesse parte da nossa maneira de agir, perfeito. Se isso implicar deixar-nos longe de sermos quem somos é só preciso parar, olhar nos olhos e alertar. Por vezes podem estar a fazer-nos um pedido que nem os próprios sabem como nos deixa desconfortáveis. Vale a pena arriscar, falar e amar, sabendo que ao darmos um pedacinho de quem somos, recebemos em nós um pedacinho do outro também. Isto gera confiança.</p>
<p>Quando as duas partes de um casal se conhecem melhor, é a altura em que o verdadeiro compromisso connosco próprios acontece. Se por um lado podemos decidir que essas características não se coadunam de todo connosco e achamos que nos estão a afastar de quem somos, decidimos parar. Está tudo bem, ainda que o início possa ter representado uma linda e inesperada história de amor. Se, por outro lado, ao conhecer características do outro, que não conhecíamos à partida, encaramos isso como um desafio, como uma caixa de surpresas, com aceitação e com transparência, sobre como essas diferenças nos fazem sentir, acredito que isso nos leva a um amor mais profundo.</p>
<p>Será cedência? Não sei dizer, e admito que para mim não é importante a palavra. Apenas acho que faz parte do amor. ❤</p>
<p>[MJL]</p>
]]></html><thumbnail_url><![CDATA[https://amoremteoria.files.wordpress.com/2016/10/amoremteoria-ceder.jpg?w=1200&fit=440%2C330]]></thumbnail_url><thumbnail_width><![CDATA[383]]></thumbnail_width><thumbnail_height><![CDATA[330]]></thumbnail_height></oembed>