<?xml version="1.0" encoding="UTF-8" standalone="yes"?><oembed><version><![CDATA[1.0]]></version><provider_name><![CDATA[]]></provider_name><provider_url><![CDATA[https://animo30.wordpress.com]]></provider_url><author_name><![CDATA[animo30]]></author_name><author_url><![CDATA[https://animo30.wordpress.com/author/animo30/]]></author_url><title><![CDATA[WEBANGELHO DE ANSELMO]]></title><type><![CDATA[link]]></type><html><![CDATA[<p><a href="https://animo30.files.wordpress.com/2009/11/anselmoborges_deus.jpg"><img data-attachment-id="3628" data-permalink="https://animo30.wordpress.com/2009/11/02/webangelho-de-anselmo-2/anselmoborges_deus-6/" data-orig-file="https://animo30.files.wordpress.com/2009/11/anselmoborges_deus.jpg?w=132&#038;h=165" data-orig-size="132,165" data-comments-opened="1" data-image-meta="{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;}" data-image-title="anselmoborges_deus" data-image-description="" data-medium-file="https://animo30.files.wordpress.com/2009/11/anselmoborges_deus.jpg?w=132&#038;h=165?w=132" data-large-file="https://animo30.files.wordpress.com/2009/11/anselmoborges_deus.jpg?w=132&#038;h=165?w=132" class="alignleft size-full wp-image-3628" title="anselmoborges_deus" src="https://animo30.files.wordpress.com/2009/11/anselmoborges_deus.jpg?w=132&#038;h=165" alt="anselmoborges_deus" width="132" height="165" /></a></p>
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<p><strong>Pe Anselmo Borges</strong></p>
<p><strong>In DN Sab 31.10.09</strong></p>
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<p><strong>SERIA INJUSTO NÃO HAVER DEUS</strong></p>
<p>As nossas sociedades científico-técnicas, comandadas pela razão instrumental, pelo progresso, o êxito e o consumo, hedonistas, nas quais a fé se obnubilou, são as primeiras da História a fazer da morte tabu. Este tabu, acompanhado da perda da fé no Além e da eternidade, é essencial para o entendimento do que se passa. Porque já não há eternidade, o tempo não faz texto, ficando reduzido a instantes que se devoram. Como pode então ainda haver valores e futuro num tempo que se dissolve na voragem de instantes?</p>
<p>De qualquer modo, estas nossas sociedades permitem a visita dos mortos dois dias por ano: 1 e 2 de Novembro. Os cemitérios enchem-se e, de forma mais ou menos explícita e funda, num silêncio ao mesmo tempo vazio e opaco, plúmbeo, há o confronto com a ultimidade, aí onde verdadeiramente se é Homem. Afinal, qual é o sentido da existência e de tudo? O que vale verdadeiramente? M. Heidegger chamou a atenção para isso: a diferença entre a existência autêntica e a existência inautêntica dá-se nesse confronto. Se tudo decorre na banalidade rasante e na gritaria oca, a explicação está aqui: no último tabu.</p>
<p>Para onde vão os mortos? Para o Silêncio. O mistério da morte é esse: dizemos que partiram, mas o que abala é não deixarem endereço. Na morte, a evidência é o cadáver. Mas quem se contenta com o cadáver? Por isso, a morte é o impensável que obriga a pensar e, enquanto formos mortais, havemos de perguntar por Deus.</p>
<p>Deus não é &#8220;objecto&#8221; de ciência, mas uma esperança, sobretudo quando se pensa nas vítimas inocentes. Como escreveu o agnóstico M. Horkheimer, um dos fundadores da Escola Crítica de Frankfurt, &#8220;se tivesse de descrever a razão por que Kant se manteve na fé em Deus, não saberia encontrar melhor referência do que aquele passo de Victor Hugo: uma anciã caminha pela rua. Ela cuidou dos filhos e colheu ingratidão; trabalhou e vive na miséria; amou e vive na solidão. E no entanto está longe de qualquer ódio e rancor, e ajuda onde pode&#8230; Alguém vê-a caminhar e diz: Ça doit avoir un lendemain!&#8230; Porque não foram capazes de pensar que a injustiça que atravessa a História seja definitiva, Voltaire e Kant postularam Deus &#8211; não para eles mesmos&#8221;.</p>
<p>A curto, a médio, a longo prazo, todos foram estando mortos. A curto, a médio, a longo prazo, todos iremos, todos irão estando mortos, e lá, no final, só há uma alternativa.</p>
<p>Claude Lévi-Strauss conclui assim o seu L&#8217;homme nu: &#8220;Ao homem incumbe viver e lutar, pensar e crer, sobretudo conservar a coragem, sem que nunca o abandone a certeza adversa de que outrora não estava presente e que não estará sempre presente sobre a Terra e que, com o seu desaparecimento inelutável da superfície de um planeta também ele votado à morte, os seus trabalhos, os seus sofrimentos, as suas alegrias, as suas esperanças e as suas obras se tornarão como se não tivessem existido, não havendo já nenhuma consciência para preservar ao menos a lembrança desses movimentos efémeros, excepto, através de alguns traços rapidamente apagados de um mundo de rosto impassível, a constatação anulada de que existiram, isto é, nada&#8221;.</p>
<p>A Bíblia, no último livro, Apocalipse, conclui assim: &#8220;Vi então um novo céu e uma nova terra. E vi descer do céu, de junto de Deus, a cidade santa, a nova Jerusalém. E ouvi uma voz potente que vinha do trono: &#8216;Esta é a morada de Deus entre os homens. Ele habitará com eles; eles serão o seu povo e o próprio Deus estará com eles e será o seu Deus. Ele enxugará todas as lágrimas dos seus olhos; e não haverá mais morte, nem luto, nem pranto, nem dor. Porque as primeiras coisas passaram.'&#8221;</p>
<p>No meio da perplexidade, fico com Kant: &#8220;A balança do entendimento não é completamente imparcial, e um braço da mesma com o dístico &#8216;esperança do futuro&#8217; tem uma vantagem mecânica, que faz com que mesmo razões leves, que caem no seu respectivo prato, levantem o outro braço, que contém especulações em si de maior peso. Esta é a única incorrecção que eu não posso eliminar e que eu na realidade não quero abandonar.&#8221;</p>
]]></html><thumbnail_url><![CDATA[https://i2.wp.com/animo30.wordpress.com/files/2009/11/anselmoborges_deus.jpg?fit=440%2C330]]></thumbnail_url><thumbnail_width><![CDATA[132]]></thumbnail_width><thumbnail_height><![CDATA[165]]></thumbnail_height></oembed>