<?xml version="1.0" encoding="UTF-8" standalone="yes"?><oembed><version><![CDATA[1.0]]></version><provider_name><![CDATA[ARMAZÉM DE BAÚS]]></provider_name><provider_url><![CDATA[http://armazemdebaus.pt]]></provider_url><author_name><![CDATA[paulo talhadas santos]]></author_name><author_url><![CDATA[https://armazemdebaus.pt/author/paulotalhadassantos/]]></author_url><title><![CDATA[TABAIBOS NAS CUECAS]]></title><type><![CDATA[link]]></type><html><![CDATA[<p style="text-align:justify;"><span style="font-weight:400;">O Zé partiu o braço três vezes, e das três  vezes levei-o </span><span style="font-weight:400;">à</span><span style="font-weight:400;"> mãe. Não me lembro de mais nada dele. Já o Manel, vamos chamá-lo assim, também o levei </span><span style="font-weight:400;">à</span><span style="font-weight:400;"> mãe, só uma vez, mas foi por uma razão completamente diferente&#8230;</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-weight:400;">Naquele tempo, dizemos assim quando queremos significar que algo se passou há algumas décadas, todos usávamos canivete, e servia um pouco para tudo. Desde esculpir o tampo da carteira da escola até descascar a fruta. Daquela vez, em dia de folga da escola, foi para isso que ele foi usado, para descascar tabaibos. Para quem não sabe, esse era o nome comum dado aos frutos da chamada piteira ou figueira da Índia, muito usada em vedações nos campos devido ao seu carácter “picante”. O que é preciso dizer é que o Manel os tinha apanhado e, para não picar as mãos, usou as cuecas como luvas.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-weight:400;">Sim, as cuecas, pois estávamos todos nus a tomar banho num grande tanque de rega de uma quinta nos arredores, como era costume em dias de falta do professor, a roupa pendurada na cerca do campo do burro manso, no qual nos fartávamos de andar às voltas.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-weight:400;">A figueira da Índia, </span><i><span style="font-weight:400;">Opuntia ficus-indica</span></i><span style="font-weight:400;">, é uma planta invasora, originária do México e que foi levada para todo o mundo por espanhóis, portugueses, ingleses, franceses, holandeses&#8230; É o cacto mais difundido mundialmente pois é comercialmente importante. Por isso, continua a ser introduzido em novas áreas para fruta e forragem, mas frequentemente dá problemas ambientais quando se torna invasora, ocupando pastagens e espaços de agricultura tradicional.  Depois da irresponsabilidade da introdução, sem considerar o que se passou noutros locais, já é tarde para resolver o problema. A espécie é difícil de erradicar por meios mecânicos e químicos, pois os animais dispersam as sementes e a propagação vegetativa é muito eficaz. Qualquer pedaço, cortado ou partido, ao cair no chão ganha raiz e dá uma nova planta.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-weight:400;">Voltando </span><span style="font-weight:400;">à</span><span style="font-weight:400;"> história. Quando chegou a hora de regressar, o Manuel já se tinha esquecido dos tabaibos e vestiu-se. Não tardou muito a que os picos começassem a fazer efeito. Aflitivo, mesmo para quem estava a ver. Foi então que o levei a  casa e só a mãe, com muita paciência e com uma pinça, conseguiu aplacar a aflição. </span></p>
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]]></html></oembed>