<?xml version="1.0" encoding="UTF-8" standalone="yes"?><oembed><version><![CDATA[1.0]]></version><provider_name><![CDATA[ARMAZÉM DE BAÚS]]></provider_name><provider_url><![CDATA[http://armazemdebaus.pt]]></provider_url><author_name><![CDATA[paulo talhadas santos]]></author_name><author_url><![CDATA[https://armazemdebaus.pt/author/paulotalhadassantos/]]></author_url><title><![CDATA[ALUGAM-SE GALOCHAS]]></title><type><![CDATA[link]]></type><html><![CDATA[<p style="text-align:justify;"><span style="font-weight:400;">Corria o ano de 1992. Já era maio mas batíamos os dentes de frio. O vento soprava forte, gelado e a neve cobria tudo de branco. Tudo não, quase tudo. De onde estamos vemos a cor vermelha viva lá em baixo. Por razões de segurança não era permitido aproximar mais para ver melhor. Alheio ao perigo, ou simplesmente conhecedor dos humores do “monstro”,  um homem e a sua máquina executava um dos trabalhos mais estranhos e radicais que vi em toda a vida. Arrastava escórias de modo a formar um canal e conduzir a lava que escorria devagar no fundo da cratera secundária. Encaminhava-a encosta abaixo, onde ia solidificando em escoadas negras. Mais que improvável, era uma cena impensável. Em minha defesa, devo lembrar que estávamos no tempo em que não havia canais dedicados e séries televisivas temáticas, todos os dias, mostrando tudo e mais alguma coisa. Mais para cima, ultrapassando os 3000 metros de altitude, o cone principal do vulcão Etna estava inacessível, envolvido por neve e nuvens densas.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-weight:400;">Fim de semana, intervalo no congresso, tínhamos decidido ir ver o monte Etna. Dia bonito, calor e céu azul. Passámos por duas ou três aldeias com aspecto muito tradicional, velhotes sentados nos bancos, fiadas de pimentos vermelhos a secar nas portas. </span><span style="font-weight:400;">À</span><span style="font-weight:400;"> medida que vamos subindo ficamos no meio das nuvens e, aos 2000 metros, não se sobe mais. Os turistas são recebidos numa casota onde podem resolver os problemas </span><span style="font-weight:400;">derivados da improvisação. Quase todos iam de sapatilhas, influenciados pelo bom tempo dos dias anteriores, esquecendo-se que a altitude de um local tudo muda. Alugavam-se agasalhos e galochas forradas, vendiam-se gorros e meias altas, café e chá quentinho. Risada geral pela imprudência de não preparar a visita ao maior vulcão da Europa. Comprei as peúgas, aluguei um anorak azul e galochas, e aproveitei o espectáculo o máximo de tempo que consegui aguentar ao frio e ao vento.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-weight:400;">Essa foi a primeira vez que vi um vulcão em actividade. Anos mais tarde, a segunda vez foi também memorável e uma ordem de magnitude acima, tão grande era o fenómeno.  Estivemos na grande cratera fumegante do Kilauea, no Hawaii, vimos estradas cortadas e atravessámos enormes propriedades cobertas de lava negra das anteriores erupções. Numa delas um letreiro “vende-se” sobressaía por inusitado. Mais tarde,  observámos de helicóptero, a baixa altitude, a cratera com lava em movimento. Mas o que mais me impressionou, também a distância segura, foi vê-lo a escoar para o mar, nuvens de água vaporizada a subir lentamente. Durante o dia, nada de muito impressionante. Ao anoitecer, com o céu mais escuro, revelou-se o maravilhoso espectáculo cromático, as enormes nuvens de vapor reflectindo a cor da lava fervente, uma gradação do vermelho vivo ao negro, tendo em fundo um céu azul, profundo. A beleza que irradia das perigosas forças do planeta é avassaladora.</span></p>
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<p><strong>Kilauea, no Hawaii,  a entrar para o mar.<img data-attachment-id="417" data-permalink="https://armazemdebaus.pt/cc0/" data-orig-file="https://armazemdebaushome.files.wordpress.com/2019/03/cc0-2.png" data-orig-size="24,24" data-comments-opened="1" data-image-meta="{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}" data-image-title="CC0" data-image-description="" data-medium-file="https://armazemdebaushome.files.wordpress.com/2019/03/cc0-2.png?w=24" data-large-file="https://armazemdebaushome.files.wordpress.com/2019/03/cc0-2.png?w=24" class="alignnone size-full wp-image-417" src="https://armazemdebaushome.files.wordpress.com/2019/03/cc0-2.png?w=24&#038;h=24" alt="CC0" width="24" height="24" /><img data-attachment-id="418" data-permalink="https://armazemdebaus.pt/cc1/" data-orig-file="https://armazemdebaushome.files.wordpress.com/2019/03/cc1-1.png" data-orig-size="24,24" data-comments-opened="1" data-image-meta="{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}" data-image-title="cc1" data-image-description="" data-medium-file="https://armazemdebaushome.files.wordpress.com/2019/03/cc1-1.png?w=24" data-large-file="https://armazemdebaushome.files.wordpress.com/2019/03/cc1-1.png?w=24" class="alignnone size-full wp-image-418" src="https://armazemdebaushome.files.wordpress.com/2019/03/cc1-1.png?w=24&#038;h=24" alt="cc1" width="24" height="24" />Paulo Santos </strong></p>
]]></html><thumbnail_url><![CDATA[https://armazemdebaushome.files.wordpress.com/2019/02/f1010015.jpg?fit=440%2C330]]></thumbnail_url><thumbnail_width><![CDATA[440]]></thumbnail_width><thumbnail_height><![CDATA[295]]></thumbnail_height></oembed>