<?xml version="1.0" encoding="UTF-8" standalone="yes"?><oembed><version><![CDATA[1.0]]></version><provider_name><![CDATA[ARMAZÉM DE BAÚS]]></provider_name><provider_url><![CDATA[http://armazemdebaus.pt]]></provider_url><author_name><![CDATA[paulo talhadas santos]]></author_name><author_url><![CDATA[https://armazemdebaus.pt/author/paulotalhadassantos/]]></author_url><title><![CDATA[VER A ENCICLOPÉDIA]]></title><type><![CDATA[link]]></type><html><![CDATA[<p style="text-align:justify;"><span style="font-weight:400;">Passava horas a ler, e apreciava muito um ou outro dos volumes profusamente ilustrados que os meus pais tinham comprado para nós. Chamava-se ”A minha primeira Enciclopédia” e mostrou-me o mundo, a par de outra colecção  chamada “Como funciona?”, e ainda outra, o “Atlas do universo”. Não me lembro bem mas terá sido por volta dos 10 anos de idade, vivíamos nós no continente africano, longe de quase tudo o que influenciava a sociedade ocidental. Mas aprendi muito sobre outros povos, outras geografias, tecnologia, ciência e cultura, o que me foi útil em múltiplas ocasiões.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<div data-shortcode="caption" id="attachment_466" style="width: 433px" class="wp-caption aligncenter"><img aria-describedby="caption-attachment-466" data-attachment-id="466" data-permalink="https://armazemdebaus.pt/2019/02/05/ver-a-enciclopedia/rio-luando-nov74/" data-orig-file="https://armazemdebaushome.files.wordpress.com/2019/02/rio-luando-nov74.jpg" data-orig-size="774,549" data-comments-opened="1" data-image-meta="{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;Picasa 3.0&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;1552777442&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}" data-image-title="rio-luando-nov74" data-image-description="" data-medium-file="https://armazemdebaushome.files.wordpress.com/2019/02/rio-luando-nov74.jpg?w=300" data-large-file="https://armazemdebaushome.files.wordpress.com/2019/02/rio-luando-nov74.jpg?w=774" class="  wp-image-466 alignright" src="https://armazemdebaushome.files.wordpress.com/2019/02/rio-luando-nov74.jpg?w=423&#038;h=300" alt="rio-luando-nov74" width="423" height="300" srcset="https://armazemdebaushome.files.wordpress.com/2019/02/rio-luando-nov74.jpg?w=423&amp;h=300 423w, https://armazemdebaushome.files.wordpress.com/2019/02/rio-luando-nov74.jpg?w=150&amp;h=106 150w, https://armazemdebaushome.files.wordpress.com/2019/02/rio-luando-nov74.jpg?w=300&amp;h=213 300w, https://armazemdebaushome.files.wordpress.com/2019/02/rio-luando-nov74.jpg?w=768&amp;h=545 768w, https://armazemdebaushome.files.wordpress.com/2019/02/rio-luando-nov74.jpg 774w" sizes="(max-width: 423px) 100vw, 423px" /><p id="caption-attachment-466" class="wp-caption-text">Rio Luando, novembro de 1974</p></div>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;"><span style="font-weight:400;">Claro que ao viver em Angola e pertencendo a uma família de curiosos, tive oportunidade de conhecer uma parte do mundo muito diferente das potências coloniais,militares e económicas que a enciclopédia descrevia com mais detalhes. Vi grandes plantações de café, milho, cana-de-açúcar e outros produtos agrícolas que, mais tarde ou mais cedo, acabariam numa mesa na Europa. Vi grandes comboios de transporte de minério de ferro ou cobre, com o mesmo destino. Vi uma grande diversidade de fauna, flora, e paisagens inesquecíveis. Também vi algumas pedras preciosas que acabariam num dedo ou numa orelha europeia. E tinha contactado aspectos </span><span style="font-weight:400;">culturais de várias etnias africanas, o que a maioria dos europeus nunca teria visto.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-weight:400;">Era uma vida feliz, mas era também uma visão muito parcelar do mundo. Numa época em que não tínhamos televisão e as grandes viagens eram muito limitadas para a grande maioria da população, a miragem dos países mais desenvolvidos povoava o imaginário juvenil. É muito curioso lembrar-me o muito que eram apreciados os poucos minutos das reportagens sobre o mundo que antecediam a projecção dos filmes nos cinemas, mesmo antes dos desenhos animados.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-weight:400;">Foi já como  adolescente ou subadulto que vi as primeiras ruínas romanas ou os palácios feitos pelos árabes no século 14 na Península Ibérica e alguns elementos do património português, construído ou de costumes: os castelos, tão glorificados pela educação na infância, ou importantes instalações tecnológicas como a refinaria de Leça, ou ainda cenas tão simples como campos de centeio a serem ceifados, visíveis das janelas do primeiro piso do Liceu António Nobre. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-weight:400;">Só em adulto vim a conhecer muitas das coisas que me tinham fascinado ou arrepiado na enciclopédia, como por exemplo as casas antigas de estilo holandês, a torre Eiffel, brinquedos nórdicos, os canais de Veneza, os alinhamentos megalíticos de Carnac, o Partenon, o Coliseu, o de Roma, claro, as grandes catedrais e tantas outras que tive a sorte ou o engenho de ver ao longo da vida. E máquinas impressionantes com o microscópio electrónico, grandes instalações industriais ou até </span><span style="font-weight:400;">centrais nucleares. Mas também os grandes museus com as suas colecções de pintura e quadros famosos, como a Mona Lisa, e as colecções arqueológicas e artefactos icónicos, como as múmias e seus sarcófagos, os calendários de pedra dos astecas ou os barcos vikings. E ainda grandes fenómenos da natureza como vulcões, as mais importantes cataratas, o maior deserto, os Himalaias, Yellowstone, o Grand Canyon, a grande barreira de coral, a Amazónia, a Antártida&#8230; </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-weight:400;">O que não vinha na Enciclopédia, mas tive também oportunidade de conhecer, foram alguns aspectos mais negativos das sociedades humanas, um pouco por todo o mundo. Passei em terras de profunda pobreza, num antigo campo de concentração, passei em zonas separadas por fronteiras fortemente militarizadas, em locais incrivelmente poluídos&#8230; </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-weight:400;">Todas aquelas experiências, que começaram por ser virtuais e só depois se foram tornando realidade, contribuíram para ser o que tenho sido toda a vida, e começaram nos meus pais, nos livros que eles me deram, e na formação que me proporcionaram.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
]]></html><thumbnail_url><![CDATA[https://armazemdebaushome.files.wordpress.com/2019/02/rio-luando-nov74.jpg?fit=440%2C330]]></thumbnail_url><thumbnail_width><![CDATA[440]]></thumbnail_width><thumbnail_height><![CDATA[312]]></thumbnail_height></oembed>