<?xml version="1.0" encoding="UTF-8" standalone="yes"?><oembed><version><![CDATA[1.0]]></version><provider_name><![CDATA[ARMAZÉM DE BAÚS]]></provider_name><provider_url><![CDATA[http://armazemdebaus.pt]]></provider_url><author_name><![CDATA[paulo talhadas santos]]></author_name><author_url><![CDATA[https://armazemdebaus.pt/author/paulotalhadassantos/]]></author_url><title><![CDATA[PULMÃO VERDE]]></title><type><![CDATA[link]]></type><html><![CDATA[<p style="text-align:justify;">Sentia-me completamente isolado no meio da floresta. Caminhava na sombra das grandes árvores, pouca luz atravessava a espessa camada de folhas. Estava quente, daquele calor húmido típico da região, e a passarada cantava um repertório desconhecido para mim enquanto saltava de ramo em ramo. Solo enlameado, cheiro ácido a matéria orgânica, a marca bem visível um metro acima da minha cabeça, mas só em alguns troncos mais claros e lisos, tudo mostrava que o nível da água tinha baixado consideravelmente, não há muito tempo. Era o início da estação mais seca na Floresta Amazónica, um complexo ecossistema que há muito queria que fizesse parte das minhas experiências de vida, e finalmente ali estava, um objectivo a atingir na lista de qualquer biólogo dado às ecologias. Observando tudo o que podia, sentia-me quase eufórico, mas com uma certa frustração por não conseguir fotografar nem as aves nem os pequenos primatas que me tinham olhado lá do alto. O forte contraluz deixou-me apenas registar vultos escuros recortados no céu brilhante. O sossego durou apenas alguns minutos, outros turistas chegaram e não paravam de falar. Afinal, o Parque do Janauari é uma</p>
<div data-shortcode="caption" id="attachment_619" style="width: 367px" class="wp-caption alignright"><img aria-describedby="caption-attachment-619" data-attachment-id="619" data-permalink="https://armazemdebaus.pt/2019/06/03/pulmao-verde/img_2733/" data-orig-file="https://armazemdebaushome.files.wordpress.com/2019/06/img_2733.jpg" data-orig-size="3168,4752" data-comments-opened="1" data-image-meta="{&quot;aperture&quot;:&quot;5.6&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;Picasa&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;Canon EOS 500D&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;1255194189&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;18&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;800&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0.008&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}" data-image-title="IMG_2733" data-image-description="" data-medium-file="https://armazemdebaushome.files.wordpress.com/2019/06/img_2733.jpg?w=200" data-large-file="https://armazemdebaushome.files.wordpress.com/2019/06/img_2733.jpg?w=683" class="  wp-image-619 alignright" src="https://armazemdebaushome.files.wordpress.com/2019/06/img_2733.jpg?w=357&#038;h=534" alt="IMG_2733" width="357" height="534" srcset="https://armazemdebaushome.files.wordpress.com/2019/06/img_2733.jpg?w=357&amp;h=534 357w, https://armazemdebaushome.files.wordpress.com/2019/06/img_2733.jpg?w=100&amp;h=150 100w, https://armazemdebaushome.files.wordpress.com/2019/06/img_2733.jpg?w=200&amp;h=300 200w, https://armazemdebaushome.files.wordpress.com/2019/06/img_2733.jpg?w=683&amp;h=1024 683w" sizes="(max-width: 357px) 100vw, 357px" /><p id="caption-attachment-619" class="wp-caption-text"><span style="font-weight:400;">Samauma gigante (<em>Ceiba pentandra</em>). </span><img class="alignnone size-full wp-image-417" src="https://armazemdebaushome.files.wordpress.com/2019/03/cc0-2.png?w=24&#038;h=24" alt="CC0" width="24" height="24" /><img class="alignnone size-full wp-image-418" src="https://armazemdebaushome.files.wordpress.com/2019/03/cc1-1.png?w=24&#038;h=24" alt="cc1" width="24" height="24" />Paulo Santos</p></div>
<p style="text-align:justify;">área protegida situada nas imediações de Manaus, bastante popular por ser de fácil e rápido acesso por barcos turísticos e por se encontrar em razoável estado de conservação. Daí o movimento, e muitos chegavam para ver uma planta famosa pelas suas folhas, que podem ultrapassar dois metros de diâmetro. Eram marcantes as ilustrações que desde miúdo admirava e que as mostravam flutuando, com uma criança sentada em cima. Para a ciência, as vitórias-régias foram baptizadas de <em>Victoria amazonica</em> em homenagem à rainha Vitória da Inglaterra. Foi um naturalista inglês, obviamente, que as viu na Guiana, a inglesa, claro, situada a norte do Brasil, e que trouxe as suas sementes para a Europa. O que não se vê nas simpáticas imagens são os grandes e aguçados espinhos que abundam na face inferior das folhas, e que aparentam ser eficazes contra peixes herbívoros. Mas quem estivesse atento veria a grande diversidade de seres vivos em redor. Para além das já mencionadas grandes árvores, com destaque para a gigante<span style="color:var(--color-text);"> samauma</span><span style="color:var(--color-text);">, outras mais pequenas, as vitórias-régias, as muitas aves e os macacos, vi ainda jacarés de vários tamanhos, grandes lagartos, tartarugas, peixes variados, vistosas borboletas e outros insectos que enchiam o ar.</span></p>
<p style="text-align:justify;">Ali bem perto, outro fenómeno de grandes dimensões causava admiração aos viajantes. O rio Negro, de água mais quente e escurecida pelos ácidos provenientes da decomposição da vegetação, e o rio Solimões, com água mais fria e amarelada, muito turva dos sedimentos que transporta desde os Andes, correm lado a lado sem se misturar, por vários quilómetros. É o chamado Encontro das Águas, em que as duas massas líquidas com densidade e temperatura distintas obedecem às leis da física, acabando depois por se misturar e formar o majestoso trecho inferior do rio Amazonas.<br />
De regresso a Manaus, que me decepcionou pelo estado degradado, desorganizado e sujo, visitei o INPA, o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazónia, e aí fiquei bem impressionado com os trabalhos em curso. Nas suas instalações tive também oportunidade de ver um tanque com pachorrentos manatins, peixes-bois como são compreensivelmente conhecidos, e aquários com pequenos peixes-eléctricos, e com famoso o pirarucu, o peixe gigante do Amazonas. Mais tarde, voltei a ver exemplares desta espécie no principal mercado do peixe da cidade. Este é o sítio certo para tomar consciência da enorme biodiversidade do rio, pois perdi-me na contagem de peixes diferentes, e já ia em mais de meia centena&#8230;</p>
<div data-shortcode="caption" id="attachment_623" style="width: 402px" class="wp-caption alignleft"><img aria-describedby="caption-attachment-623" data-attachment-id="623" data-permalink="https://armazemdebaus.pt/2019/06/03/pulmao-verde/img_2343/" data-orig-file="https://armazemdebaushome.files.wordpress.com/2019/06/img_2343.jpg" data-orig-size="2352,1568" data-comments-opened="1" data-image-meta="{&quot;aperture&quot;:&quot;5&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;Canon EOS 500D&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;1255109490&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;40&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;3200&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0.033333333333333&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;1&quot;}" data-image-title="IMG_2343" data-image-description="" data-medium-file="https://armazemdebaushome.files.wordpress.com/2019/06/img_2343.jpg?w=300" data-large-file="https://armazemdebaushome.files.wordpress.com/2019/06/img_2343.jpg?w=1024" class="  wp-image-623 alignleft" src="https://armazemdebaushome.files.wordpress.com/2019/06/img_2343.jpg?w=392&#038;h=261" alt="IMG_2343" width="392" height="261" srcset="https://armazemdebaushome.files.wordpress.com/2019/06/img_2343.jpg?w=392&amp;h=261 392w, https://armazemdebaushome.files.wordpress.com/2019/06/img_2343.jpg?w=784&amp;h=522 784w, https://armazemdebaushome.files.wordpress.com/2019/06/img_2343.jpg?w=150&amp;h=100 150w, https://armazemdebaushome.files.wordpress.com/2019/06/img_2343.jpg?w=300&amp;h=200 300w, https://armazemdebaushome.files.wordpress.com/2019/06/img_2343.jpg?w=768&amp;h=512 768w" sizes="(max-width: 392px) 100vw, 392px" /><p id="caption-attachment-623" class="wp-caption-text">Pirarucu (<em>Arapaima gigas</em>) <img class="alignnone size-full wp-image-417" src="https://armazemdebaushome.files.wordpress.com/2019/03/cc0-2.png?w=24&#038;h=24" alt="CC0" width="24" height="24" /><img class="alignnone size-full wp-image-418" src="https://armazemdebaushome.files.wordpress.com/2019/03/cc1-1.png?w=24&#038;h=24" alt="cc1" width="24" height="24" />Paulo Santos</p></div>
<p style="text-align:justify;">Na região não abundam as estradas e o rio tem influência em tudo. Não admira, portanto, que aos cais e pontões na margem acorram milhares de embarcações de todos os tamanhos, desde pirogas a porta-contentores, mas os mais características são os barcos muito coloridos, equivalentes aos nossos autocarros, transportando um formigueiro de gente que entra e sai da cidade. Claro que me juntei ao movimento e fiz viagens de barco em três dias consecutivos, pois é a melhor maneira de chegar aos pontos de interesse. Quer para ver a natureza riquíssima, ou aspectos da cultura dos índios, visitando os povoamentos receptivos, quer mesmo para experimentar a culinária local nos típicos restaurantes flutuantes. Num deles podíamos pescar e comer piranhas. Outro era uma plataforma de observação dos famosos botos, os golfinhos rosados do rio. Um catraio dava-lhes peixe a horas certas, assegurando que apareciam mesmo, e que até nadavam entre quem estivesse na água. Fiz tudo isso e adorei.<br />
Durante muitos anos a Amazónia foi conhecida como o pulmão do planeta, e essa designação tem sido muito útil, não só na criação de um laço afectivo mas também na criação da consciência de uma relação causa-efeito-necessidade que têm contribuído para manter a Opinião Pública desfavorável à grande quantidade de agressões de que esta floresta tem sido alvo. Só no final do século 20 é que essa ideia inspiradora veio a ser desmontada, quando se conseguiu verificar que a contribuição das microalgas oceânicas para a produção de oxigénio e captação de dióxido de carbono é muito maior, mas a imagem poética do pulmão verde ficará para sempre.</p>
<p><img data-attachment-id="621" data-permalink="https://armazemdebaus.pt/2019/06/03/pulmao-verde/img_2586/" data-orig-file="https://armazemdebaushome.files.wordpress.com/2019/06/img_2586.jpg" data-orig-size="4752,3168" data-comments-opened="1" data-image-meta="{&quot;aperture&quot;:&quot;32&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;Picasa&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;Canon EOS 500D&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;1255189279&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;200&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;400&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0.02&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}" data-image-title="IMG_2586" data-image-description="" data-medium-file="https://armazemdebaushome.files.wordpress.com/2019/06/img_2586.jpg?w=300" data-large-file="https://armazemdebaushome.files.wordpress.com/2019/06/img_2586.jpg?w=1024" class="alignnone size-full wp-image-621" src="https://armazemdebaushome.files.wordpress.com/2019/06/img_2586.jpg?w=4752&#038;h=3168" alt="IMG_2586" width="4752" height="3168" srcset="https://armazemdebaushome.files.wordpress.com/2019/06/img_2586.jpg 4752w, https://armazemdebaushome.files.wordpress.com/2019/06/img_2586.jpg?w=150&amp;h=100 150w, https://armazemdebaushome.files.wordpress.com/2019/06/img_2586.jpg?w=300&amp;h=200 300w, https://armazemdebaushome.files.wordpress.com/2019/06/img_2586.jpg?w=768&amp;h=512 768w, https://armazemdebaushome.files.wordpress.com/2019/06/img_2586.jpg?w=1024&amp;h=683 1024w" sizes="(max-width: 4752px) 100vw, 4752px" /></p>
<p>As vitórias-régias (<em>Victoria amazonica</em>) no Parque do Janauari. <img data-attachment-id="417" data-permalink="https://armazemdebaus.pt/cc0/" data-orig-file="https://armazemdebaushome.files.wordpress.com/2019/03/cc0-2.png" data-orig-size="24,24" data-comments-opened="1" data-image-meta="{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}" data-image-title="CC0" data-image-description="" data-medium-file="https://armazemdebaushome.files.wordpress.com/2019/03/cc0-2.png?w=24" data-large-file="https://armazemdebaushome.files.wordpress.com/2019/03/cc0-2.png?w=24" class="alignnone size-full wp-image-417" src="https://armazemdebaushome.files.wordpress.com/2019/03/cc0-2.png?w=24&#038;h=24" alt="CC0" width="24" height="24" /><img data-attachment-id="418" data-permalink="https://armazemdebaus.pt/cc1/" data-orig-file="https://armazemdebaushome.files.wordpress.com/2019/03/cc1-1.png" data-orig-size="24,24" data-comments-opened="1" data-image-meta="{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}" data-image-title="cc1" data-image-description="" data-medium-file="https://armazemdebaushome.files.wordpress.com/2019/03/cc1-1.png?w=24" data-large-file="https://armazemdebaushome.files.wordpress.com/2019/03/cc1-1.png?w=24" class="alignnone size-full wp-image-418" src="https://armazemdebaushome.files.wordpress.com/2019/03/cc1-1.png?w=24&#038;h=24" alt="cc1" width="24" height="24" />Paulo Santos</p>
]]></html><thumbnail_url><![CDATA[https://armazemdebaushome.files.wordpress.com/2019/06/img_2343.jpg?fit=440%2C330]]></thumbnail_url><thumbnail_width><![CDATA[440]]></thumbnail_width><thumbnail_height><![CDATA[293]]></thumbnail_height></oembed>