<?xml version="1.0" encoding="UTF-8" standalone="yes"?><oembed><version><![CDATA[1.0]]></version><provider_name><![CDATA[ARMAZÉM DE BAÚS]]></provider_name><provider_url><![CDATA[http://armazemdebaus.pt]]></provider_url><author_name><![CDATA[paulo talhadas santos]]></author_name><author_url><![CDATA[https://armazemdebaus.pt/author/paulotalhadassantos/]]></author_url><title><![CDATA[QUEREM UM LABORATÓRIO?]]></title><type><![CDATA[link]]></type><html><![CDATA[<p style="text-align:justify;"><span style="font-weight:400;">Não foi bem com as palavras que dão título a esta memória, foi mais ou menos dissimulado, qualquer coisa como: “Nós fazemos aqui um laboratório para estudar a dinâmica do rio e fica a funcionar durante alguns anos, pagamos as despesas e os senhores professores gerem à vossa maneira…” Foi assim que tentaram subornar-nos para influenciar o nosso relatório técnico sobre a escolha do local para construir um aterro sanitário.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-weight:400;">Nos anos 90 do século passado, o país estava ainda semeado de inúmeras lixeiras a céu aberto, uma vergonha no ordenamento do território. Lembro-me particularmente de uma na entrada da cidade da Régua, bem visível a quem chegasse de carro, de comboio ou de barco, os plásticos a caírem na água, a serem arrastados por ela, o Douro a mudar de cor com os líquidos pestilentos que dali escorriam&#8230;</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-weight:400;">Com leis Comunitárias, às quais passámos a estar vinculados com a nossa integração, e que tanta falta nos faziam, foi dado início ao processo do encerramento dessas manifestações de atraso civilizacional com a construção de aterros sanitários, obviamente com verbas também da Europa. Estes, nem sempre foram constituídos no melhor local, o que deu origem a indignados  protestos das populações afectadas. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-weight:400;">Neste caso, recebemos o contacto de um grupo de cidadãos descontentes com o avanço do processo, com localização já decidida, sem que as suas objecções fossem tidas em consideração. O pequeno ribeiro era importante para a economia local, pois regava os pastos e as culturas. Receavam, com razão, os efeitos do funcionamento do aterro na qualidade da água do seu curso de água, isto é, os efluentes poluídos que poderiam libertar-se, tal como ocorria noutros aterros. E ali perto havia grandes áreas improdutivas ou com eucaliptais, boas alternativas para a obra.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-weight:400;">Por esses motivos, pediram-nos ajuda para fazer um parecer a denunciar os defeitos do estudo de impacto ambiental, que até eles viam estar mal feito. Aceitámos, mesmo que fosse remunerado simbólicamente. De facto, o estudo era fraudulento. Nem sequer avaliava todos os parâmetros exigidos na legislação. Apesar disso, tinha sido considerado adequado pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte&#8230;</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-weight:400;">Munidos do nosso parecer, o qual foi apoiado em trabalho de campo, os da terra foram com o assunto para tribunal. E aí foi feio, mas acabou por se mandar repetir o  estudo de impacto ambiental. A segunda versão estava melhor, mas as conclusões eram as mesmas. Nem tinham avaliado as novas alternativas propostas, locais com menor valor ambiental e igualmente bem servidos de acessos rodoviários.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-weight:400;">Durante o processo, algumas organizações não governamentais de ambiente denunciaram as contradições, as ilegalidades cometidas pelas autoridades, e exigiram novos estudos, mas o ministério do ambiente sempre afirmou que as interferências no processo eram más para o país, e que iam causar perda de financiamento europeu por não se fechar a obra no prazo previsto. Afinal, o que interessava era construir rapidamente, fosse onde fosse, não importavam os estudos. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-weight:400;">Finalizados os estudos, e após o processo ter passado pelo ministério do ambiente, onde foram ponderadas as questões económicas como sendo mais relevantes do que as ambientais, estava aberto o caminho para a construção do aterro. Foi iniciada em 2000, no local inicialmente previsto, nenhuma das alternativas foi considerada melhor.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-weight:400;">Obviamente, neste registo pouco edificante omiti nomes ou referências geográficas que pudessem embaraçar ou comprometer qualquer um dos seus intervenientes.</span></p>
]]></html></oembed>