<?xml version="1.0" encoding="UTF-8" standalone="yes"?><oembed><version><![CDATA[1.0]]></version><provider_name><![CDATA[ARMAZÉM DE BAÚS]]></provider_name><provider_url><![CDATA[http://armazemdebaus.pt]]></provider_url><author_name><![CDATA[paulo talhadas santos]]></author_name><author_url><![CDATA[https://armazemdebaus.pt/author/paulotalhadassantos/]]></author_url><title><![CDATA[ESPADAS  NA  PRAIA]]></title><type><![CDATA[link]]></type><html><![CDATA[<p style="text-align:justify;"><span style="font-weight:400;">À medida que nos aproximamos, aumenta o reflexo do sol. Brilha em dezenas de espadas, perfeitamente alinhadas umas ao lado das  outras. Não, não são espadas metálicas, embora o prateado intenso assim o sugira. Nem são armas, ainda não passaram muitas horas desde que ainda estavam vivos. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-weight:400;">Sábado ao início da manhã. Os abundantes peixes-espada, pescados de madrugada, tirados dos barcos, lavados e ordenadamente expostos na praia à espera dos compradores, eram uma visão belíssima no seu conjunto. Juntavam-se muitas pessoas, clientes ou simples curiosos, transeuntes atraídos pela estética dos</span> <span style="font-weight:400;">alinhamentos na areia da praia. Era na pacata cidade do Lobito, em Angola, corriam os primeiros anos da década de setenta do século passado.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-weight:400;">Nós éramos repetentes na visita ao mercado informal dos pescadores. Pelo bom preço e pela frescura absoluta dos produtos,  resultado do trabalho dos homens e do generoso mar que fornece tantos bens para a nossa sobrevivência. Sendo a praia perto de casa, o peixe ia bem a tempo do almoço. As largas postas, fritas, cozidas ou grelhadas com umas pedras de sal, eram do agrado de todos. O bom sabor, a textura firme e sedosa e a grande facilidade em separar as espinhas, mesmo por crianças, poderá ser uma explicação para essa preferência. Se não era dia de peixe-espada, havia garoupa, corvina, pungo, pargo-mulato, galo, barbudos e tantos outros. A  diversidade era grande e dava para todos os gostos, era só escolher e pagar.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-weight:400;">A grande abundância de </span><i><span style="font-weight:400;">Trichiurus lepturus</span></i><span style="font-weight:400;"> fez dele um relevante recurso biológico para a economia angolana. É uma espécie com ampla distribuição a nível mundial, estando também presente em águas europeias, mas em menor quantidade que o muito semelhante peixe-espada-branco. Contudo, em Angola não era importante apenas para os pescadores profissionais.  Lembro-me bem de ver pescadores lúdicos, e também quem precisava de alimento, a capturar peixe-espada na restinga do Lobito, junto a um cais que lá havia, virado para o interior da baía. Conhecendo os hábitos destes predadores de boca grande, os interessados iam esperá-los de noite, à hora de se alimentarem à superfície. Num grande anzol, prendiam um isco avantajado que deixavam flutuar até ser abocanhado. Depois, era só puxá-los para terra. Parecia fácil. </span></p>
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