<?xml version="1.0" encoding="UTF-8" standalone="yes"?><oembed><version><![CDATA[1.0]]></version><provider_name><![CDATA[ARMAZÉM DE BAÚS]]></provider_name><provider_url><![CDATA[http://armazemdebaus.pt]]></provider_url><author_name><![CDATA[paulo talhadas santos]]></author_name><author_url><![CDATA[https://armazemdebaus.pt/author/paulotalhadassantos/]]></author_url><title><![CDATA[OS LOBINHOS ]]></title><type><![CDATA[link]]></type><html><![CDATA[<p style="text-align:justify;"><span style="font-weight:400;">Os dois adultos afastaram-se receosos e pudémos aproximar-nos do seu covil, devo confessar que não de modo totalmente confiante. Era um abrigo tosco com 2 lobinhos, bolinhas de pêlo fofo, olhos cinzentos e patas robustas. “Podem pegar neles, se quiserem.“ Quisémos. Ganiam levemente e cheiravam mal, mas mesmo muito mal, a carne em decomposição. Nunca esqueci tamanho fedor, que reconheci depois sempre que com ele me cruzei.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-weight:400;">Em 1980, tivemos a ideia de ir para o Gerês estudar a fauna, o projecto “mata do Cabril” já abordado no texto &#8220;<a href="http://armazemdebaus.pt/2019/03/03/vultos-na-floresta/">VULTOS NA FLORESTA</a>&#8220;. Como éramos muito verdes, inexperientes em trabalho de campo, procurámos apoio. Não havendo na Faculdade de Ciências do Porto, naquela época, quem nos proporcionasse a necessária orientação, fomos a Lisboa falar com um técnico de vida selvagem da então  Direcção-Geral das Florestas que nos tinham sugerido, e que aceitou ajudar-nos</span><span style="font-weight:400;">. No dia combinado por telefone chegámos cedo ao seu local de trabalho, tínhamos ido no primeiro comboio da manhã do Porto para a capital. Recebeu-nos no corredor, atrapalhado. Esquecera-se: “Estou com muito pressa, tenho de ir a Mafra ver os lobos.” Mas emendou, ao ver as expressões desconsoladas: “Querem vir? Podemos falar no carro.” Fomos, era uma oportunidade a não desperdiçar. E eu sem uma máquina fotográfica! Arrependi-me de não ter sido previdente. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-weight:400;">A visita ao cercado dos lobos foi emocionante. Afinal nunca tínhamos visto estes icónicos animais fora de uma jaula. As instalações que vimos eram provisórias e aí estavam recolhidos em cercados alguns lobos mutilados ou em recuperação. Com origem em acidentes ou em encontros com caçadores, não podiam ser libertados. Não sobreviveriam.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-weight:400;">Estivemos lá dentro apenas alguns minutos. Enquanto isso, o casal de lobos demonstrou muita agitação. A coberto dos arbustos, rondavam inquietos e foram verificar o estado dos filhotes mal saímos do terreno vedado.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-weight:400;">Sim, como combinado, durante a deslocação o especialista em fauna selvagem aconselhou-nos sobre metodologias de detecção de fauna de maior dimensão, como raposas ou corços, e métodos de captura e marcação de micromamíferos, como musaranhos ou leirões, informações muito úteis para o que iríamos fazer no Gerês. Mas foi a primeira visão de lobos fora do zoo que ficou bem gravada na memória.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-weight:400;">O cheiro a lobo voltei a senti-lo, não no Gerês, onde até vimos vários restos de bovinos atacados pelo predador, mas anos mais tarde na Serra da Peneda. Foi em carcaças frescas de vacas e cavalos abatidos pela alcateia do Vez, e nos excrementos deixados ao longo dos trilhos por ela percorridos, e que calcorreei com amigos durante muitos anos.</span></p>
]]></html></oembed>