<?xml version="1.0" encoding="UTF-8" standalone="yes"?><oembed><version><![CDATA[1.0]]></version><provider_name><![CDATA[As Folhas Ardem]]></provider_name><provider_url><![CDATA[https://asfolhasardem.wordpress.com]]></provider_url><author_name><![CDATA[manuel margarido]]></author_name><author_url><![CDATA[https://asfolhasardem.wordpress.com/author/mmargarido/]]></author_url><title><![CDATA[Hélia Correia — [o&nbsp;medo]]]></title><type><![CDATA[link]]></type><html><![CDATA[<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">«Dificilmente se acredita que os seus textos ainda existam, que estes livros não se apaguem. Pois, ao contrário do lugar comum onde se encontra a vã consolação, ao contrário da crença de que a escrita, trazendo glória, traz eternidade, há este sentimento, que é meu, de que para certa rara gente tudo foi uma única coisa. Não ocorreu uma separação e penso sempre que as ervas que devoram um mortal devorarão também a sua obra. Porque este é um dos casos em que a obra era o orgão vital, o que gerava visão, entendimento, medo e esperma.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Há pessoas assim cuja existência, cuja carne é matéria literária. Não falo já de qualidade. Falo, sim, da quantidade de poema que há num corpo. Da combustão que é feita de palavras em lugar de oxigénio. Falo daquele que, se não escreve, mata alguém. Daquele que não aceita um aparelho de cognição capaz de o proteger com o vulgar conforto do real. Que se educou para a alucinação. O que descreve o brilho intenso que há na noite e é, no entanto, a fonte do fulgor, dessa fosforescência com que os mortos que o tocam, de visita, o contaminam.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Dificilmente se acredita que os seus textos não tivessem ardido inteiramente, não se extinguissem com aquelas mãos que pegavam na insónia para os escrever.»</span></p>
<p>Hélia Correia, in <em>Revista de artes e Ideias n.º 8, «O Medo»</em>, Coimbra: Alma Azul, 2006. p.51</p>
<p style="text-align:justify;">
<p><span style="color:#333399;">[Nota: este texto, presente no oitavo número da <em>Revista de artes e Ideias, </em>dirigida por Elsa Ligeiro na chancela Alma Azul, alude muito provavelmente ao poeta Al Berto, que escrevera, em 17 de julho de 1984, a célebre entrada: «<em>às vezes, o dia resume-se a uma palavra, mas hoje, se não conseguir escrever, saio para a rua e mato alguém</em>». O texto não tem título, pelo que se optou, para referenciação, pelo tema comum à generalidade dos textos incluídos na revista que, de resto, é dedicada à temática: «Medo»]</span></p>
<div data-shortcode="caption" id="attachment_4391" style="width: 510px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://asfolhasardem.files.wordpress.com/2012/10/62429185103b3b1e7100d3f51b696cf9-d3ds1v9.png"><img aria-describedby="caption-attachment-4391" data-attachment-id="4391" data-permalink="https://asfolhasardem.wordpress.com/2012/10/08/helia-correia-o-medo/62429185103b3b1e7100d3f51b696cf9-d3ds1v9/" data-orig-file="https://asfolhasardem.files.wordpress.com/2012/10/62429185103b3b1e7100d3f51b696cf9-d3ds1v9.png?w=500&#038;h=647" data-orig-size="516,668" data-comments-opened="1" data-image-meta="{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;}" data-image-title="«reach»" data-image-description="" data-medium-file="https://asfolhasardem.files.wordpress.com/2012/10/62429185103b3b1e7100d3f51b696cf9-d3ds1v9.png?w=500&#038;h=647?w=232" data-large-file="https://asfolhasardem.files.wordpress.com/2012/10/62429185103b3b1e7100d3f51b696cf9-d3ds1v9.png?w=500&#038;h=647?w=516" class="size-full wp-image-4391" title="«reach»" src="https://asfolhasardem.files.wordpress.com/2012/10/62429185103b3b1e7100d3f51b696cf9-d3ds1v9.png?w=500&#038;h=647" alt="«reach»" width="500" height="647" srcset="https://asfolhasardem.files.wordpress.com/2012/10/62429185103b3b1e7100d3f51b696cf9-d3ds1v9.png?w=500&amp;h=647 500w, https://asfolhasardem.files.wordpress.com/2012/10/62429185103b3b1e7100d3f51b696cf9-d3ds1v9.png?w=74&amp;h=96 74w, https://asfolhasardem.files.wordpress.com/2012/10/62429185103b3b1e7100d3f51b696cf9-d3ds1v9.png?w=232&amp;h=300 232w, https://asfolhasardem.files.wordpress.com/2012/10/62429185103b3b1e7100d3f51b696cf9-d3ds1v9.png 516w" sizes="(max-width: 500px) 100vw, 500px" /></a><p id="caption-attachment-4391" class="wp-caption-text">«reach»</p></div>
<p style="text-align:justify;">
<p><a href="http://alma-azul.tumblr.com/" target="_blank"><span style="color:#808000;">Alma Azul online</span></a></p>
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		</div>]]></html><thumbnail_url><![CDATA[https://asfolhasardem.files.wordpress.com/2012/10/62429185103b3b1e7100d3f51b696cf9-d3ds1v9.png?fit=440%2C330]]></thumbnail_url><thumbnail_width><![CDATA[255]]></thumbnail_width><thumbnail_height><![CDATA[330]]></thumbnail_height><geo_latitude><![CDATA[38.725662]]></geo_latitude><geo_longitude><![CDATA[-9.150357]]></geo_longitude></oembed>