<?xml version="1.0" encoding="UTF-8" standalone="yes"?><oembed><version><![CDATA[1.0]]></version><provider_name><![CDATA[As Folhas Ardem]]></provider_name><provider_url><![CDATA[https://asfolhasardem.wordpress.com]]></provider_url><author_name><![CDATA[manuel margarido]]></author_name><author_url><![CDATA[https://asfolhasardem.wordpress.com/author/mmargarido/]]></author_url><title><![CDATA[«Do Lado Esquerdo» — nasceu hoje uma nova editora de poesia, com novo livro de Maria&nbsp;Sousa.]]></title><type><![CDATA[link]]></type><html><![CDATA[<div data-shortcode="caption" id="attachment_4423" style="width: 310px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://asfolhasardem.files.wordpress.com/2013/01/picture-1.png"><img aria-describedby="caption-attachment-4423" data-attachment-id="4423" data-permalink="https://asfolhasardem.wordpress.com/2013/01/19/4421/picture-1-22/" data-orig-file="https://asfolhasardem.files.wordpress.com/2013/01/picture-1.png" data-orig-size="420,419" data-comments-opened="1" data-image-meta="{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;}" data-image-title="Do Lado Esquerdo" data-image-description="&lt;p&gt;Do Lado Esquerdo&lt;/p&gt;
" data-medium-file="https://asfolhasardem.files.wordpress.com/2013/01/picture-1.png?w=300&#038;h=300" data-large-file="https://asfolhasardem.files.wordpress.com/2013/01/picture-1.png?w=420" class="size-medium wp-image-4423" alt="Do Lado Esquerdo" src="https://asfolhasardem.files.wordpress.com/2013/01/picture-1.png?w=300&#038;h=300" width="300" height="300" srcset="https://asfolhasardem.files.wordpress.com/2013/01/picture-1.png?w=300&amp;h=300 300w, https://asfolhasardem.files.wordpress.com/2013/01/picture-1.png?w=96&amp;h=96 96w, https://asfolhasardem.files.wordpress.com/2013/01/picture-1.png 420w" sizes="(max-width: 300px) 100vw, 300px" /></a><p id="caption-attachment-4423" class="wp-caption-text">Do Lado Esquerdo</p></div>
<p><span style="color:#000000;"><br />
Nasceu hoje uma nova editora de poesia, em Coimbra. «Do Lado Esquerdo» é iniciativa de Maria Sousa e de Nuno Abrantes, co-editores da revista digital <em><a href="http://a-suldenenhumnorte.blogspot.pt/" target="_blank"><span style="color:#000000;">a sul de nenhum norte</span></a>, </em>que já contabiliza sete edições. O nome da editora, certamente inspirado no poema de Carlos de Oliveira «<span style="color:#000000;"><a href="https://asfolhasardem.wordpress.com/2009/12/08/poesia-portuguesa-41-carlos-de-oliveira/" target="_blank">sobre lado esquerdo</a>»</span>, revela apropriadamente a intensidade afectiva que os seus autores empregam na actividade de editores. Apresenta, igualmente, um jogo de sentidos, tal como o poema de Carlos de Oliveira o fazia, em tempos muito duros de luta contra a censura (mas também não o serão estes, nomeadamente no que à censura económica diz respeito?).</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">É justamente com um título de Maria Sousa, o livro <em>Mulher Ilustrada</em>, que se inaugura o catálogo da editora. Que o editor assuma igualmente o papel de autor é tradição antiga, nada a obstar. Mesmo porque se aguardava, já, um novo título da autora, depois de <em>Exercícios para endurecimento de lágrimas</em>, («Edições Língua Morta», 2010). Maria Sousa, que se define de forma bem original, em nota biográfica elaborada para a sua apresentação no Ciclo de Leituras Encenadas «Da Voz Humana», que teve lugar no ano transacto, na companhia «Escola de Mulheres — Oficina de Teatro». Escreve a autora: «Coisas que me fazem bater depressa o coração*<i> </i><em>O Outono, o cheiro da terra molhada, o som das ondas, o estalar das folhas secas, a minha família, os meus amigos, as janelas, a luz a atravessar cortinas brancas, nuvens, as canções do Tom Waits, livrarias antigas, livros e caderninhos, um olhar, um rir, o som da chuva, os poemas da Alejandra Pizarnik, os da Anne Sexton, viajar, despedidas, ouvir poemas meus em lituano, falar em público, cafés vazios, cigarros. E melancolia. </em>*(plágio descarado ao titulo de um um texto da Sei Shonagon)». Acrescenta-se que Maria Sousa participou em várias revistas literárias (Criatura, Sítio, Saudade, Umbigo) e num Seminário de tradução literária organizado pela L.A.F. (<i>Literature Across Frontiers</i>); e que é autora de um dos mais antigos e prestigiados blogues relacionados com a poesia: «<a href="http://theresonly1alice.blogspot.pt/" target="_blank"><span style="color:#000000;">there&#8217;s only 1 alice</span></a>»</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Sobre o primeiro livro, e já com alguns dos poemas que compõem o agora inaugural <em>Mulher Ilustrada</em>, escrevi, na ocasião, que estávamos perante uma autora que trava  uma duríssima luta contra a ausência, revelada no silêncio, na impossibilidade de dizer; a tremenda prova dessa ausência nos lugares habitáveis, no quotidiano — a casa, a cama, o corpo, a voz — lides íntimas que se travam apelando à memória, inevitavelmente sem resposta, que esta se esconde num esquecimento tornado apaziguador, resgatado pela possibilidade de uma sílaba, da palavra escrita; trabalho de equilíbrio do sentimento de si travado no fio de um arame. Na poesia de Maria Sousa o eu é um outro (uma outra), à procura do retorno ao eu outro. Poemas onde se experimenta um incessante labor de resgate, ainda que, para tal, se organize, sem concessões, no largo tempo espectral da noite, um movimento incessante de contenção. É como engolir um grito.</span></p>
<p><span style="color:#000000;"><em>Mulher Ilustrada</em> acentua claramente a voz da autora, ampliando os lugares simbólicos, refazendo e renovando a semântica que lhe é peculiar, acentuando de forma mais elaborada, num trabalho incessante de depuração, onde a ironia e a nostalgia estão presentes, numa permanente elegia de um eu idealizado, perdido no confronto com a sua realidade íntima.</span></p>
<p><span style="color:#000000;">O resultado merece a maior atenção para uma obra em sólida construção, já em plena maturidade, que se ergue com um saber laboriosamente tecido.</span><br />
<span class="Apple-style-span" style="color:#000000;"><b> </b></span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;"><i> </i></span></p>
<div data-shortcode="caption" id="attachment_4424" style="width: 510px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://asfolhasardem.files.wordpress.com/2013/01/image1_zps0d374606.jpg"><img aria-describedby="caption-attachment-4424" data-attachment-id="4424" data-permalink="https://asfolhasardem.wordpress.com/2013/01/19/4421/image1_zps0d374606/" data-orig-file="https://asfolhasardem.files.wordpress.com/2013/01/image1_zps0d374606.jpg?w=500&#038;h=668" data-orig-size="598,800" data-comments-opened="1" data-image-meta="{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;}" data-image-title="«Mulher Ilustrada», de Maria Sousa (capa)" data-image-description="&lt;p&gt;«Mulher Ilustrada», de Maria Sousa (capa)&lt;/p&gt;
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<p><span style="color:#000000;">Aqui se deixa o díptico que encerra <em>Mulher Ilustrada</em>, livro que pode ser adquirido nos lugares indicados na página da editora «<a href="https://www.facebook.com/DoLadoEsquerdo" target="_blank"><span style="color:#000000;">Do Lado Esquerdo</span></a>», na rede social «Facebook».</span></p>
<p>I</p>
<p>vejo-te na soleira da porta</p>
<p>hesitas. em cena apenas estou eu</p>
<p>penso em mudar-me</p>
<p>mas, entre erros e desculpas</p>
<p>falta-me espaço</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>se contares histórias serão daquelas que</p>
<p>ninguém quer ouvir</p>
<p>relatos de passeios de domingo onde há sempre ruínas</p>
<p>sim, restaram apenas ruínas escavadas no interior dos olhos</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>II</p>
<p>entras, não tens medo</p>
<p>rodeado de olhares com sono que ainda não sabem</p>
<p>que as palavras são sempre as mesmas</p>
<p>(uma espécie de cerimónia onde te repetes para evitar a morte)</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>mentimos os dois sobre uma história feita de fragmentos</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>dizes que nem sempre o guião é o mesmo</p>
<p>mas repetes-me o teu monólogo ao ouvido</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>“deixa-me sair” vou abandonar a personagem</p>
<p>que balança no vazio</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>última tentativa: observo-te e tu já não me vês</p>
<p>conheces-me tão pouco, não, isto&#8230;</p>
<p>isto não é um dueto, é um duelo</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>friamente o silêncio cai sobre nós</p>
<p>não há vozes nem adereços</p>
<p>(a cena está vazia)</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>há apenas uma cortina de vento onde as palavras</p>
<p>nunca se moldaram</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color:#000000;">Sousa, Maria, <em>Mulher Ilustrada</em>, Coimbra: «Do Lado Esquerdo», Janeiro de 2013</span></p>
<p><span style="color:#000000;"> </span></p>
		<div id="geo-post-4421" class="geo geo-post" style="display: none">
			<span class="latitude">38.725662</span>
			<span class="longitude">-9.150357</span>
		</div>]]></html><thumbnail_url><![CDATA[https://asfolhasardem.files.wordpress.com/2013/01/picture-1.png?w=300&fit=440%2C330]]></thumbnail_url><thumbnail_width><![CDATA[300]]></thumbnail_width><thumbnail_height><![CDATA[299]]></thumbnail_height><geo_latitude><![CDATA[38.725662]]></geo_latitude><geo_longitude><![CDATA[-9.150357]]></geo_longitude></oembed>