<?xml version="1.0" encoding="UTF-8" standalone="yes"?><oembed><version><![CDATA[1.0]]></version><provider_name><![CDATA[Blog AuriNegra]]></provider_name><provider_url><![CDATA[https://aurinegra.wordpress.com]]></provider_url><author_name><![CDATA[aurinegra]]></author_name><author_url><![CDATA[https://aurinegra.wordpress.com/author/aurinegra/]]></author_url><title><![CDATA[“Há que ter a ambição de sermos uma grande instituição&nbsp;nacional”]]></title><type><![CDATA[link]]></type><html><![CDATA[<p><a href="https://aurinegra.files.wordpress.com/2010/01/damiao.jpg"><img data-attachment-id="102" data-permalink="https://aurinegra.wordpress.com/2010/01/22/%e2%80%9cha-que-ter-a-ambicao-de-sermos-uma-grande-instituicao-nacional%e2%80%9d/damiao/" data-orig-file="https://aurinegra.files.wordpress.com/2010/01/damiao.jpg?w=490&#038;h=367" data-orig-size="500,375" data-comments-opened="1" data-image-meta="{&quot;aperture&quot;:&quot;2.4&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;C8080WZ&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;OLYMPUS DIGITAL CAMERA&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;1263814622&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;7.1&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;79&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0.025&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;}" data-image-title="damião" data-image-description="&lt;p&gt;OLYMPUS DIGITAL CAMERA&lt;/p&gt;
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<p><strong>Vítor Damião, 61 anos, é o novo presidente da direcção da Adega Cooperativa de Cantanhede. Com um currículo ligado à vinha e ao vinho, sente-se preparado para enfrentar os problemas e combater as dificuldades ligadas ao sector. Chamar os associados à cooperativa e colocar o nome da Adega Cooperativa de Cantanhede entre as melhores do mundo, é o maior dos desafios, sem “politizar uma instituição que tem tudo para crescer e ter sucesso a nível internacional”.</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><!--more--></p>
<p><strong>Jornal AuriNegra (AN) </strong>&#8211; Com uma forte ligação à vinha e ao vinho, nomeadamente na Federação Nacional de Adegas cooperativas e em grupos de trabalho na União Europeia, sente-se preparado para este desafio de revitalizar a adega?</p>
<p><strong>Vítor Damião (VD) &#8211;</strong> A par com a minha experiência como professor e depois como autarca, tive experiência e contacto com todo este mundo da vinha e do vinho e estou consciente das enormes responsabilidades e dificuldades que este cargo envolve.</p>
<p>Mas agora que estou disponível, já que abandonei todos os cargos na política autárquica e frisei isso durante a campanha, a Adega Cooperativa de Cantanhede não é nenhum palco de luta de política autárquica, não é para isso que aqui estamos, mas para lutar pelo futuro e pelo prestígio desta instituição.</p>
<p><strong>AN &#8211;</strong> Agora que tomou posse, e sendo conhecidas as dificuldades da Adega Cooperativa de Cantanhede, quais são as medidas que vai tomar?</p>
<p><strong>VD &#8211;</strong> O nosso objectivo é, nos primeiros contactos com a realidade, tomarmos consciência concreta da situação económico-financeira mais imediata e tomar medidas no sentido de seguirmos as melhores estratégias. Isto depois de falarmos com os responsáveis de cada sector da adega, para posteriormente podermos tomar decisões para conduzir a Adega Cooperativa de Cantanhede.</p>
<p>A Adega não parou porque houve eleições e temos que dar  continuidade ao trabalho, indo ao encontro do programa que apresentámos inicialmente e que passa por uma estratégia de gestão.</p>
<p><strong>AN &#8211;</strong> Mas qual é essa estratégia?</p>
<p><strong>VD &#8211;</strong> Que a Adega Cooperativa de Cantanhede seja ainda uma maior instituição do concelho de Cantanhede. Neste caso do sector vitivinícola, mas não só, porque há que ter a ambição de nos tornarmos uma grade instituição a nível nacional e até internacional. Há uma parte significativa das vendas da Adega que são para exportação e é aí que queremos reforçar, nos países para onde exportamos, e alargar para outros onde achamos que podemos conquistar o mercado dos vinhos.</p>
<p><strong>AN &#8211;</strong> É uma das formas de combater a crise que a Adega atravessa?</p>
<p><strong>VD &#8211;</strong> Também, naturalmente. O sector vitivinícola debate-se com algumas dificuldades, como é sabido mas, por exemplo, as exportações ao nível do nosso país têm aumentado e há países onde a nossa presença é bastante significativa. Por outro lado, há que olhar com muita atenção para o mercado interno, para o sector das grandes superfícies, para a restauração e para o retalho. Há todo um conjunto de factores das realidades locais de venda que não podemos descurar, antes temos de reforçar cada vez mais.</p>
<p>O nosso objectivo aqui é termos uma cobertura total do país em termos de vendas, pois só dessa maneira conseguimos obter a rentabilidade que nos permitirá condições para dar aos associados um melhor pagamento das uvas que entregam na Adega.</p>
<p><strong>AN </strong>&#8211; Qual é o ponto da situa-ção dos pagamentos aos viticultores neste momento?</p>
<p><strong>VD &#8211;</strong> Neste momento a Adega pagou a primeira tranche, cerca de 50 por cento, da colheita de 2008. Terá que pagar a próxima tranche, o resto de 2008, no mês de Julho, pelo menos enquanto não reflectirmos melhor sobre essa situação. Podemos dizer que a Adega está a pagar ao fim de um ano e meio de cada colheita.</p>
<p><strong>AN &#8211;</strong> Mas a que se deve esse atraso?</p>
<p><strong>VD &#8211; </strong>Esta é uma situação mais ou menos normal. Apesar de a querermos melhorar, é uma das que mais cedo paga a nível nacional. Há adegas que têm pagamentos muito atrasados e mesmo algumas com muitas dificuldades, com três ou quatro anos de atraso.</p>
<p>Mesmo dentro das adegas cooperativas com uma situação menos complicada, não haverá pagamentos inferiores a um ano. Também há uma razão para isso: os viticultores entregam as uvas após a vindima e o vinho leva uns meses a ficar em condições de comercializar, primeiros os brancos e depois os tintos, que levam mais tempo, dependendo da gama para a qual se pretende esse vinho. E também é difícil para a adega pagar antes de ter vendido o vinho, a não ser que tivesse uma almofada financeira ao longo dos anos (que, infelizmente, não tem) para poder pagar as uvas no imediato.</p>
<p><strong>AN &#8211; </strong>Umas das propostas do seu programa eleitoral era a de reduzir em 50 por cento os vencimentos do directores. Essa proposta vai ser uma medida imediata?</p>
<p><strong>VD &#8211; </strong>Sim, no imediato. Até agora os directores da adega, e desde há mais de 15 anos, recebiam dois ordenados mínimos por mês, 14 vezes por ano. A nossa proposta, que agora vamos tomar como medida, e dando conta daquilo que sentíamos da parte dos associados, é que passasse a ser só um ordenado mínimo por mês e só 12 meses por ano. Não é que nós achemos que o trabalho, as exigências e a responsabilidade numa adega como esta não justificasse essa compensação, mas também temos consciência de que numa situação em que os associados precisariam de receber a tempo e horas o pagamento das suas uvas, a direcção tem que dar o exemplo do sacrifício para podermos vir a ter melhores resultados. No futuro, com certeza que nos virão a dar razão.</p>
<p><strong>AN &#8211; </strong>E como é que foi aceite? Houve contestação?</p>
<p><strong>VD &#8211; </strong>Penso que foi bem aceite e que terá sido esse um dos motivos por que os associados nos escolheram. Temos que, com estas medidas, catapultar a Adega Coo-perativa de Cantanhede para o lugar que ela merece.</p>
<p><strong>AN &#8211;</strong> O seu discurso vai muito no sentido dos associados. Mas ao longo dos anos tem existido um certo afastamento dos viticultores em relação à cooperativa. E nestas eleições votaram só cerca de 400&#8230;</p>
<p><strong>VD &#8211; </strong>A Adega tem à volta de 1.400 associados, mas os que efectivamente entregam uvas são cerca de 800. Neste acto eleitoral votaram, de facto, cerca de 400 associados, mas mesmo assim é um número que não é habitual, nem nesta nem em outras adegas.</p>
<p>Terá sido uma das votações mais participadas de sempre porque, infelizmente, não há grande motivação dos associados. E é isso que queremos alterar. Os viticultores não sentem a cooperativa como sua. Há os associados e depois uns senhores que são uma espécie de “donos” da adega. É esta mentalidade que queremos mudar, nós somos uma direcção que apenas representa os associados. Há que alterar essa forma de ver as coisas.</p>
<p><strong>AN &#8211; </strong>E como é que se altera esta situação de desinteresse?</p>
<p><strong>VD &#8211;</strong> Por um lado, os associados estão descapitalizados pelo facto de, nos últimos anos, não terem visto acompanhar os preços das uvas com as despesas que efectivamente têm, não só em termos laborais mas também dos custos dos produtos para usar na vinha durante todo o ano. Tudo subiu de tal maneira que o pagamento das uvas não conseguiu acompanhar, o que levou a uma certa descrença, a um afastamento dos associados. Daí eu achar que o facto de 400 associados terem aderido ao voto se traduz num renascer da esperança de que a Adega Cooperativa atinja uma situação que possibilite compensar mais os viticultores do trabalho que fazem durante todo o ano.</p>
<p><strong>AN &#8211; </strong>Nestes três anos de mandato que agora começa, o que é que quer deixar na Adega Cooperativa?</p>
<p><strong>VD &#8211; </strong>Queria deixar a adega numa situação económico-financeira estável e que as pessoas de Cantanhede consigam ter orgulho numa instituição do seu concelho e esse orgulho se transforme também em optar pelos vinhos da Adega Cooperativa. Não quero dizer com isso que não haja outros que são também bons, mas desejo que valorizem o que é nosso, da nossa região.</p>
<p>A Adega tem uma gama de produtos que não envergonha ninguém a nível do sector e em termos nacionais. Vamos desenvolver uma política para que todos os restaurantes promovam também esta marca, que a sintam como sua. Depois há que ter a consciência de que, em termos de produção, a Adega é uma das mais importantes da Região Demarcada da Bairrada. Estamos a falar de uma produção de cinco milhões de quilos de uvas na última campanha, o que faz da Adega uma grande instituição. É claro que a produção diminuiu porque até da parte da União Europeia tem havido incentivo ao arranque da vinha, devido ao excesso de produção, pelo que os viticultores abandonaram as vinhas, daí essa redução de produção. Mas ao ultrapassar as dificuldades, estamos a dar aos viticultores a oportunidade de produzir melhor, com mais qualidade, vinhos de qualidade e de região demarcada. Esse é o nosso marco e o legado que queremos para todos eles.</p>
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