<?xml version="1.0" encoding="UTF-8" standalone="yes"?><oembed><version><![CDATA[1.0]]></version><provider_name><![CDATA[Blog AuriNegra]]></provider_name><provider_url><![CDATA[https://aurinegra.wordpress.com]]></provider_url><author_name><![CDATA[aurinegra]]></author_name><author_url><![CDATA[https://aurinegra.wordpress.com/author/aurinegra/]]></author_url><title><![CDATA[Histórias de um&nbsp;guarda-fiscal]]></title><type><![CDATA[link]]></type><html><![CDATA[<p><a href="https://aurinegra.files.wordpress.com/2010/03/joaomarianogueira.jpg"><img data-attachment-id="229" data-permalink="https://aurinegra.wordpress.com/2010/03/12/historias-de-um-guarda-fiscal/joaomarianogueira/" data-orig-file="https://aurinegra.files.wordpress.com/2010/03/joaomarianogueira.jpg?w=490&#038;h=367" data-orig-size="500,375" data-comments-opened="1" data-image-meta="{&quot;aperture&quot;:&quot;2.8&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;C8080WZ&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;OLYMPUS DIGITAL CAMERA&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;1267549392&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;12.1&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;100&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0.02&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;}" data-image-title="joaomariaNogueira" data-image-description="&lt;p&gt;OLYMPUS DIGITAL CAMERA&lt;/p&gt;
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<p><strong>João Maria Nogueira nasceu a 30 de Julho, na Barra, freguesia e concelho de Mira. Guarda-fiscal durante 40 anos, foi ainda presidente da Junta de Freguesia da Praia de Mira, vereador no município de Mira e dirigente de várias colectividades locais. Aos 85 anos continua a escrever poemas, é deputado municipal e um aficionado das novas tecnologias.</strong></p>
<p>João Maria Nogueira nasceu no seio de uma família de guardas-fiscais. Os dois bisavôs, um dos avôs e o seu pai exerceram a profissão que durante anos também ele abraçou e que, posteriormente, o genro acabou por escolher.</p>
<p>O fio de ouro que traz sempre consigo com o emblema da Guarda Fiscal (a actual Brigada Fiscal da GNR) é o testemunho do amor que ainda nutre por aquela profissão, apesar de ter descoberto outras paixões, após se ter reformado em 1980. A escrita é uma delas.</p>
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<p>Com uma memória de fazer inveja, João Maria Nogueira consegue relatar toda uma vida através de datas. Há uma inesquecível: quando começou a escrever.</p>
<p><em>“Foi a partir do dia 3 de Maio de 1996, o dia em que o meu neto morreu, atropelado na Praia de Mira. Desde aí tenho escrito centenas de poemas, mais de 400”, </em>assegura.</p>
<p>Embora o primeiro de todos tenha sido inspirado num acontecimento trágico, João Maria Nogueira revela que gosta de escrever sobre os mais variados temas.</p>
<p><em>“Tenho alturas que sou como uma fonte inesgotável, depois há outros momentos que não sai nada. Às vezes até é inconcebível, pois sou tão pouco culto, mas escrevo sobre tudo, até sobre uma formiga que vejo passar”, </em>afirma o escritor, que no celeiro do quintal tem uma esferográfica e um caderno, não vá a inspiração aparecer de repente, como já aconteceu.</p>
<p><em>“Há tempos ia para a câmara, mas por lapso deixei uns documentos no carro e tive de voltar para trás e encontrei dois colegas de Mira, que viram um poema meu num jornal do concelho. Deram-me os parabéns. Um deles disse-me que não me conhecia essa faceta e o outro diz logo de seguida: ‘de poeta e de louco todos temos um pouco. E você anda aí como um atleta, um homem com a sua idade’. Eu ouvi aquilo e fiquei a magicar. Fui ao carro e quando voltei para trás disse-lhes: ‘de louco não tenho muito, mas um pouco, que às vezes me faz rir à gargalhada. Terei também um pouco de atleta que me tem feito vencer a caminhada, mas de poeta não tenho nada. Contudo tenho algum jeito para sentir um verso feito quando há inspiração, mesmo que tenha defeito basta que venha de um peito onde haja um coração’. E saiu-me aquilo assim, em dois minutos”, </em>conta entre risos.</p>
<p>Já com duas obras publicadas, “Quando a Alma Canta” e “É Sempre Tempo P’ra Nascer”, João Maria Nogueira espera brevemente lançar a terceira na terra que o viu crescer, a Praia de Mira.</p>
<p><strong>“Sou muito cumpridor” </strong></p>
<p>Depois da morte da mãe, quando tinha apenas sete anos, João Maria Nogueira passou pela escola de Portomar, para frequentar o terceiro ano, e de Cantanhede, onde viviam os avós maternos, e onde viria a concluir a quarta classe.</p>
<p>Entretanto regressa à Praia de Mira, ali permanecendo até ao seu recrutamento militar. Quando ainda era telegrafista, na tropa, requereu o alistamento na Guarda Fiscal. Antes de prestar serviços no litoral, o guarda fiscal é colocado em Fadagosa, junto à fronteira entre Portugal e Espanha, e mais tarde em Vila Franca de Xira.</p>
<p>Depois de ser promovido a cabo, João Maria Nogueira é nomeado comandante de posto da Costinha, entre a Tocha e Quiaios. Entretanto vai exercer funções no posto do Areão, indo terminar os seus anos de serviço na Praia de Mira.</p>
<p>Mesmo depois de se reformar, o agora poeta continuou um homem activo. Para além de ter sido presidente da Junta de Freguesia da Praia de Mira, nos anos de 1986-1898, foi também vereador na câmara de Mira (tendo ficado responsável pelo Parque Municipal de Campismo), tesoureiro e depois presidente da direcção do Touring Clube da Praia de Mira e presidente da Associação de Caçadores de Mira.</p>
<p>Actividades que conciliava com a pesca e a agricultura, sendo que esta última ainda não foi colocada de parte.</p>
<p><em>“Continuo a semear o meu </em><em>quintal todo com as minhas mãos e uma enxada”,</em> assegura João Maria Nogueira que, questionado sobre como conseguia gerir o seu tempo, responde:</p>
<p><em>“Sou muito cumpridor. Quando tenho algo para fazer, faço, seja de dia, de noite ou de madrugad</em><em>a. E à hora marcada estou onde disse que estava, nunca falto. Na Câmara até me chamavam o campeão da pontualidade e o chanceler da palmatória porque eu atiro-me a eles se eles não cumprem. Das coisas que eu mais gosto é a pontualidade, acho que faz parte da honra de um indivíduo. Porque digo sempre a toda a gente, até já o disse ao presidente da câmara e ao presidente da concelhia, de quem sou muito amigo: ‘vocês deviam ser a medida por onde nos regemos, se marcaram para as 09H00 é às 09H00 e não às 09H30’. Eu nunca estou à hora exacta porque estou antes. Na Guarda Fiscal eu, como comandante de posto durante 22 anos, e como soldado, tinha de estar no posto dez minutos antes de </em>entrar ao serviço. Era religioso”, defende.</p>
<p>E bastaram apenas três meses para que o escritor se habituasse à ideia de escrever não com a caneta, mas através de um teclado. Depois de frequentar um curso de informática, adquiriu um computador portátil e uma impressora que fazem hoje parte do cenário do seu escritório.</p>
<p><em>“Já me ajeito a editar algumas imagens, a escrever, mas da Internet não percebo nada e não me fio no dicionário do computador. Prefiro ir ver ao dicionário em papel porque a minha bagagem de conhecimentos é pequena”, </em>revela o escritor.</p>
<p>Aos 85 anos, com três filhos, três netos e cinco bisnetos, perguntámos onde vai buscar tamanha juvenilidade. <em>“Tenho uma alimentação muito regrada, trabalho muito e mexo-me ainda mais. Tenho carro e motorizada, mas vou a pé para onde posso, as caminhadas na praia também ajudam e faço muita ginástica, mentalmente e com as mãos. E preocupo-me pouco com a morte, mas zelo muito pela vida. Porque não é a morte que nos leva, é a vida que nos deixa”, </em>conclui, com um sorriso.</p>
<p><strong>Lições de crianças</strong></p>
<p>Com 40 anos de serviço, o guarda fiscal João Maria Nogueira arrecadou na sua memória muitas histórias. Ao AuriNegra salientou duas que nunca mais esqueceu.</p>
<p>A primeira passou-se em Vila Franca de Xira, com uma criança deficiente motora.</p>
<p>“Vinha de Beja uma colónia balnear de crianças com os seus dez, 11 e 12 anos e o governador civil de Beja pediu ao comandante do posto para que o guarda que fazia vigia naquela praia, que era eu, ajudar as crianças a descer do autocarro.</p>
<p>Quando chegaram, estava eu a ajudar a descer uma menina que me disse: ‘deixe, senhor guarda, deixe que eu desço’. Mesmo eu alertando para ter cuidado, a menina estatela-se no chão e os colegas começaram a rir. Ralhei com eles e a menina diz-me estas palavras que ficaram marcadas até hoje. ‘Deixe-os rir, senhor guarda, deixe-os rir. Se nos tiram o riso, o que mais nos resta?’, relembra.</p>
<p>A segunda história decorreu quando João Maria Nogueira ainda estava na fronteira.</p>
<p>“Estava de vigia, num dos turnos de 12 horas. Tinha levado para comer arroz guisado de bacalhau, duas peras e dois pães. Estava a preparar-me para comer e vejo um miúdo a passar no meio do trigo, a caminho de Espanha, com um volume na mão. E gritei: ‘Paras ou dou-te um tiro!’, para o assustar e ele parou logo. Era um rapazito espanhol e sentei-o junto a mim para conversarmos um pouco. Trazia pães na mão e eu assustei-o a dizer que ia para o posto e ia ser preso. Ele começou a chorar e a beijar-me as mãos e diz-me em espanhol: ‘Tenha dó de mim, os meus irmãos têm fome’. Eu dei dois passos atrás e já me apetecia chorar mais do que ele. Olhei para a minha marmita e peguei nos pães e nas peras que tinha, dei-lhas e mandei-o embora”, relembra, sublinhando o quanto as crianças ensinam aos mais velhos:</p>
<p>“Nós, adultos, muitas vezes recebemos lições maravilhosas de uma criança”.</p>
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