<?xml version="1.0" encoding="UTF-8" standalone="yes"?><oembed><version><![CDATA[1.0]]></version><provider_name><![CDATA[Blog AuriNegra]]></provider_name><provider_url><![CDATA[https://aurinegra.wordpress.com]]></provider_url><author_name><![CDATA[aurinegra]]></author_name><author_url><![CDATA[https://aurinegra.wordpress.com/author/aurinegra/]]></author_url><title><![CDATA[Histórias da Gândara em&nbsp;madeira]]></title><type><![CDATA[link]]></type><html><![CDATA[<p><a href="https://aurinegra.files.wordpress.com/2010/03/carapito.jpg"><img data-attachment-id="246" data-permalink="https://aurinegra.wordpress.com/2010/03/26/historias-da-gandara-em-madeira/carapito/" data-orig-file="https://aurinegra.files.wordpress.com/2010/03/carapito.jpg?w=490&#038;h=367" data-orig-size="500,375" data-comments-opened="1" data-image-meta="{&quot;aperture&quot;:&quot;2.4&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;C8080WZ&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;OLYMPUS DIGITAL CAMERA&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;1269261443&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;7.1&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;100&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0.033333333333333&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;}" data-image-title="Carapito" data-image-description="&lt;p&gt;OLYMPUS DIGITAL CAMERA&lt;/p&gt;
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<p><strong>Manuel Moreira Carapito, nasceu na Lagoa de Mira, em 1925. Aos 85 anos, e depois de uma vida dedicada à floresta, o ex-guarda-florestal recria em madeira momentos e símbolos da vida gandaresa. Basta uma navalha para o escultor trabalhar aquele material e imortalizar instantes de outros tempos, que brevemente estarão expostos no Núcleo Museológico de Mira.</strong></p>
<p>Numa pequena casa gandaresa, em Cabeços de Mira, há um verdadeiro museu sobre a região da Gândara. Manuel Moreira Carapito recria, em madeira, desde 1993, momentos de outros tempos. As miniaturas em madeira retratam a região da Gândara e enchem a casa do ex-guarda-florestal, que mostrou ao AuriNegra todo o seu trabalho.  As peças permanecem em sua casa à espera de serem levadas para o Núcleo Museológico de Mira (na antiga escola primária daquela vila), que está prestes a ser inaugurado.</p>
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<p>A paixão de pegar numa navalha e em bocados de madeira e transformá-los em momentos que marcaram a vida de todos os gandareses começou só depois de estar reformado.</p>
<p>Actualmente com 85 anos, Manuel Moreira Carapito nasceu na Lagoa de Mira e é mais conhecido por “Neco de Pompeu”.</p>
<p><em>“’Neco’ de boneco e Pompeu de família, o meu pai chamava-se Pompeu”, </em>explica ao AuriNegra, com a boa disposição que o caracteriza.</p>
<p>Após terminar a quarta classe, em 1937, o ex-guarda florestal teve uma curta passagem pelos serviços florestais, onde o progenitor já trabalhava, e esteve também empregado numa fábrica de tijolos.</p>
<p><em>“A fábrica era de uns senhores de Cantanhede. Chegava a fazer 600 tijolos por dia”, </em>recorda.</p>
<p>Entretanto, e já com vinte anos, chega a altura de ir para a tropa, e só depois de cumprir o serviço militar é que Manuel Moreira Carapito abraça a profissão de guarda-florestal. Mas, até se dedicar de corpo e alma às florestas, foi ainda camionista.</p>
<p><em>“Sempre tive aquela ideia de ser também, como o meu pai, guarda-florestal. Mas antes, e logo após a tropa, tirei a carta de condução e fui camionista”, </em>conta o ex-guarda-florestal, garantindo que com aquela profissão andou pelas estradas de todo o país.</p>
<p>Entretanto, e porque as saudades da terra que o viu nascer sempre falaram mais alto, Manuel Moreira Carapito aproxima-se do concelho de Mira, quando consegue arranjar tra-balho em Ílhavo, onde conduziu transportes públicos de passageiros.</p>
<p><strong>“Não sou escultor”</strong></p>
<p>O dia 1 de Maio de 1993 ficou para sempre gravado na memória de Manuel Moreira Carapito. Ao fim de 38 anos ao serviço da Guarda Florestal, o “gandarês de gema”, como ele próprio se caracteriza, passa à situação de reforma.</p>
<p>Ainda com a voz embargada, de quem não se desligou da profissão a que se dedicara durante quase quatro décadas, o ex-guarda-florestal recorda os tempos em que as florestas eram mais respeitadas e mais apreciadas pela população.</p>
<p><em>“As florestas agora estão todas abandonadas, antigamente as pessoas respeitavam-nas, mas agora está tudo abandonado. No meu tempo trabalhava-se nas florestas, a malta semeava as terras todas, agora ninguém faz nada”, </em>relembra Manuel Moreira Carapito.</p>
<p>Antes de vir para o concelho de Mira, o guarda florestal foi colocado em Lamego, onde trabalhou durante seis anos num altura em que aqueles profissionais abundavam no país.</p>
<p><em>“Depois vim para o concelho de Mira, estive no Seixo, depois na Videira e vim acabar o meu percurso aqui perto dos Cabeços. É uma pena não haver agora mais guardas-florestais. Eu naquele tempo era o número 25 aqui no concelho, agora há aqui apenas uns dois ou três. As casas dos guardas-florestais estão todas abandonadas”,</em> diz, com tristeza.</p>
<p>Com um <em>“feitio especial pa-ra lidar com o povo”,</em> Manuel Moreira Carapito refere que <em>“no concelho de Mira, em tanto tempo de serviço, fiz um único auto”.</em> Uma atitude que o deixa orgulhoso, por saber que sempre foi<em> “uma pessoa respeitada e que sabia também respeitar os outros”.</em></p>
<p>Decorria o ano de 1988 quan-do, numa das rondas pelas florestas, o ex-guarda-fiscal encontra umas lâminas de fresar a terra e nasce a sua primeira peça em madeira.</p>
<p><em>“Foi este podão. Com as lâminas que encontrei fiz uns seis e fiquei com um. Foi fácil e a partir daí fui imaginando peças. Mas só quando tive tempo, depois de me reformar, é que comecei a trabalhar nisto mais a sério”,</em> recorda, enquanto mostra ao AuriNegra todas as centenas de peças que estão espalhadas pela sua casa, tornando-a num verdadeiro museu.</p>
<p>Cenas do casamento à mo-da antiga, a matança do porco, os moinhos da Gândara, os agricultores a trabalhar a terra arenosa, as brincadeiras das crianças, os pescadores em alto mar, as dunas da Praia de Mira, a casa gandaresa e respectivas divisões, são realidades de uma Gândara de outrora, agora imortalizadas nas peças de Manuel Moreira Carapito, que utiliza somente uma navalha, uma faca e madeira.</p>
<p><em>“O resto vem da cabeça. Na mesinha de cabeceira tinha uma esferográfica e uma agenda e quando estava na cama e me lembrava de algum momento ou alguma figura da Gândara desenhava, para depois fazer”, </em>confessa o ex-guarda-fiscal, que não se considera escultor e se recusa a vender o seu trabalho.</p>
<p><em>“Não quero. Não há dinheiro que pague o que aqui tenho. Agora já não faço tanto como fazia. Antes era de noite e de dia, era um vício. Agora já não, a disposição não é a mesma e não tenho mais nada que fazer. Já fiz em madeira tudo o que havia a fazer desta zona que é a Gândara”, </em>defende.</p>
<p>Apesar de não as vender, as peças de Manuel Moreira Carapito já foram expostas em vários pontos do país, nomeadamente Aveiro, Calvão, Figueira da Foz, Mira e Santarém, sendo que o artista é também muitas vezes visitado por alunos das escolas do concelho de Mira e concelhos limítrofes.</p>
<p>Quando questionado pelo AuriNegra se tem noção de quantas peças em madeira construiu ao longo destes anos todos, Manuel Moreira Ca-rapito confessa que, inicialmente, tentou fazer esse exercício, mas eram tantas que acabou por desistir.</p>
<p><em>“São tantas que cheguei a uma altura que deixei  de contar”,</em> afirma, ao mostrar a maior peça que já fez: o seu próprio retrato, com cerca de 1,60 metros, com a farda de guarda-florestal.</p>
<p>Desejoso por ver todas as suas peças expostas no Núcleo de Museologia de Mira, Manuel Moreira Carapito admite receio de as guardar na sua própria casa.</p>
<p><em>“Não faço aqui fogueiras, tenho medo de incendiar a casa. Já viu a madeira que está aqui e que de um momento para o outro pode arder? Nem quero pensar!”,</em> desabafa, receoso.</p>
<p>E para quem quiser apreciar todo o trabalho de Manuel Moreira Carapito, sem ter de ir a Cabeços de Mira e enquanto as peças não são expostas num espaço adequado, pode fazê-lo através de um simples clique ao aceder ao site <a href="http://jean-pierre.cruz.neuf.fr//carapito/index.html" rel="nofollow">http://jean-pierre.cruz.neuf.fr//carapito/index.html</a>.</p>
<p>Nesta página da Internet é possível ver fotos que mostram algumas peças deste invulgar escultor da Gândara.</p>
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