<?xml version="1.0" encoding="UTF-8" standalone="yes"?><oembed><version><![CDATA[1.0]]></version><provider_name><![CDATA[beco dos prazeres.]]></provider_name><provider_url><![CDATA[https://becodosprazeres.wordpress.com]]></provider_url><author_name><![CDATA[sophia]]></author_name><author_url><![CDATA[https://becodosprazeres.wordpress.com/author/becodosprazeres/]]></author_url><title><![CDATA[copy paste integral]]></title><type><![CDATA[link]]></type><html><![CDATA[<blockquote>
<p style="text-align:justify;"><a href="http://meninalimao.blogspot.com/2011/02/peco-desculpa-por-obrigar-vos-usar-o.html"><strong>«A geração parva<br />
</strong><br />
Há  mais ou menos dezoito anos, um editorial deste jornal teve a ideia de  chamar “geração rasca” aos jovens que na altura tinham mais ou menos  dezoito anos. A geração — essa geração, a minha — nunca mais conseguiu  esquecer. Com toda a ambiguidade, levámos o nome a peito: ficámos  ofendidos com ele, um pouco envergonhados sim, muito irritados também,  mas fizémo-lo nosso sobretudo, tentando dar-lhe a volta (a “geração à  rasca”) às vezes. Recusámo-nos sempre, sabe-se lá porquê — porque era  injusto, digo eu —, a largá-lo.</a></p>
<p><a href="http://meninalimao.blogspot.com/2011/02/peco-desculpa-por-obrigar-vos-usar-o.html">Que o nome era injusto foi-se  vendo depois. Na verdade, esta geração, que tem agora o dobro da idade,  não foi absolutamente nada rasca. Pelo contrário, espanta-nos a nós — e a  quem quiser observar — o quão cordatos fomos. Passámos a segunda metade  das nossas vidas com esse ferrão do vexame em manifesto silêncio.  Ouvimos até à náusea que éramos a “terra queimada” do sistema de ensino —  chegámos a repeti-lo nós, por reflexo condicionado — até muito  recentemente apenas se ter começado a reconhcer que afinal somos a  “geração mais bem preparada” de sempre no país. O que pode não ser  difícil, mas não deixa de ser verdade. E nestes anos todos, de forma  passiva, cabisbaixa e rotineira lá fomos aceitando mais um estágio, mais  um subemprego, mais uma caderneta de recibos verdes, mais um mês no  call center, ou — pior ainda — um telefonema do call center a dizer que  afinal não precisamos de ir neste mês nem nos seguintes.</a></p>
<p><a href="http://meninalimao.blogspot.com/2011/02/peco-desculpa-por-obrigar-vos-usar-o.html">***</a></p>
<p><a href="http://meninalimao.blogspot.com/2011/02/peco-desculpa-por-obrigar-vos-usar-o.html">Até  que no outro dia, no Coliseu do Porto, a banda do momento, que leva um  nome de mocinha de outros tempos — Deolinda — tocou em estreia absoluta  uma música cujos versos começam, de mansinho, “sou da geração / sem  remuneração”. Às palavras, claras e bem articuladas, o público que nunca  as tinha ouvido reagiu primeiro com uma ligeira gargalhada. A música é  também ela falsamente branda e delicada; em três minutos somente veremos  que fomos enganados pelas aparências e que ela tem dentro uma raiva  cristalina.</a></p>
<p><a href="http://meninalimao.blogspot.com/2011/02/peco-desculpa-por-obrigar-vos-usar-o.html">As rimas prosaicas, que parecem piadas e na verdade  são facas — “isto está mau e vai continuar / já é uma sorte poder  estagiar” — vão entrando na carne do público a pouco e pouco. Aqueles  que lá estavam e tinham aquela idade — “a geração do  vou-queixar-me-pra-quê / há bem pior do que eu na TV” — reconheceram-se  ao espelho.</a></p>
<p><a href="http://meninalimao.blogspot.com/2011/02/peco-desculpa-por-obrigar-vos-usar-o.html">Irónica, muito muito cansada e lamentosa, a vocalista  vai repetindo sobre o repenicado das guitarras, “que parva que eu sou”,  “que parva que eu sou”. Insultando-se para não insultar o mundo porque  afinal — a coisa menos rasca do mundo — somos bem educadinhos. Só quando  a rede já está lançada a canção se diz, não vá alguém levar a mal, numa  sugestão apenas:</a></p>
<p><a href="http://meninalimao.blogspot.com/2011/02/peco-desculpa-por-obrigar-vos-usar-o.html">“…fico a pensar, que mundo tão parvo / onde para ser escravo / é preciso estudar.”</a></p>
<p><a href="http://meninalimao.blogspot.com/2011/02/peco-desculpa-por-obrigar-vos-usar-o.html">Neste  momento, o público estava pasmado. Na última estrofe — “sou da geração  do já-não-posso-mais / que esta situação dura há tempo demais” — estava  conquistado. No fim da canção aplaudiu de pé. Uns estavam arrepiados,  outros comovidos. A cantora levantou os dois braços, numa espécie de  alívio, como quem finalmente disse uma coisa que estava entalada. Vão  ver: alguém filmou, pôs na internet, partilhou; nasceu um fenómeno. A  geração finalmente pôs um nome a si mesma.</a></p>
<p><a href="http://meninalimao.blogspot.com/2011/02/peco-desculpa-por-obrigar-vos-usar-o.html">Pois é, Deolinda: que  parvos que somos. Que parvos que fomos. Que parvos que temos sido. Mas  ninguém pode ser parvo tanto tempo assim. Vê lá: se mudássemos aqui uma  letra, e substituíssemos ali por outra — voilà! — ainda iríamos a tempo  de ser a geração brava, não era?<strong>»</strong></a></p>
<p><a href="http://meninalimao.blogspot.com/2011/02/peco-desculpa-por-obrigar-vos-usar-o.html">Rui Tavares</a></p></blockquote>
<p style="text-align:right;">via <a href="http://meninalimao.blogspot.com">menina limão</a></p>
<p style="text-align:justify;">anda toda a gente com esta música na boca. se pensarmos no porque só temos razões para mandar tudo á merda. eu ando a fazer isso. e conto anos perdidos.</p>
]]></html></oembed>