<?xml version="1.0" encoding="UTF-8" standalone="yes"?><oembed><version><![CDATA[1.0]]></version><provider_name><![CDATA[Bernardo Mota]]></provider_name><provider_url><![CDATA[http://ber.pt]]></provider_url><author_name><![CDATA[Ber]]></author_name><author_url><![CDATA[https://ber.pt/author/bermota/]]></author_url><title><![CDATA[Antes o optimismo]]></title><type><![CDATA[link]]></type><html><![CDATA[<p>&#8220;Ser optimista sai caro. Custa muito: tanto no esforço de virarmos as coisas que vimos no sentido da esperança, como na rajada de dor que provocamos, acreditando que, apesar de tudo, tivemos sorte.</p>
<p>Ser optimista é passar por estúpido. Não é inteligente porque os resultados esperados (não apenas desejados, mas esperados) são, pelo menos 90 por cento das vezes, piores do que se esperava.</p>
<p>Quanto maior o número de tristezas que acontecem ou nos acontecem &#8211; que doem e deixam marca -, mais difícil é manter a visão optimista que, mal por mal, tudo acabará por se resolver.</p>
<p>Quanto mais velhos ficamos e mais desilusões acumulamos, a tendência preguiçosa é concluir que são as esperanças que nos fazem sofrer.&nbsp;</p>
<p>No entanto pode ser ainda mais estúpido julgar as esperanças e ilusões conforme o resultado delas. Vamos supor que eu passo 50 anos a acreditar que um dia reconhecerão o meu talento para escrever ou pintar. Quando perfaço 50 anos, descubro, através de outros e da minha reacção ao que acham, que não tenho jeito nenhum. Chego à conclusão que perdi meio século a dedicar-me erradamente. E fico, de repente, infeliz. E esclarecido. Sou uma merda.</p>
<p>Entretanto, parece que me esqueço da felicidade e da segurança durante os 40 e tal anos em que era optimista e convencido.</p>
<p>Se calhar, o resultado ou a opinião dos outros é apenas um elemento, ocasional e aleatório, do que valemos e de quem somos e do que vale o que escolhemos fazer.</p>
<p>Ou não?&#8221;</p>
<p>Miguel Esteves Cardoso em &#8220;Como é Linda a Puta da Vida&#8221;</p>
]]></html></oembed>