<?xml version="1.0" encoding="UTF-8" standalone="yes"?><oembed><version><![CDATA[1.0]]></version><provider_name><![CDATA[Blog do Joca]]></provider_name><provider_url><![CDATA[https://blogdojoca.wordpress.com]]></provider_url><author_name><![CDATA[Navegador Brasileiro]]></author_name><author_url><![CDATA[https://blogdojoca.wordpress.com/author/navegadorbrasileiro/]]></author_url><title><![CDATA[(ASINO) MEDIAÇÃO VERSUS (ASINO)&nbsp;TERAPIA]]></title><type><![CDATA[link]]></type><html><![CDATA[<p><span style="font-weight:normal;font-size:14pt;font-family:Tahoma;">(ASINO) MEDIAÇÃO VERSUS (ASINO) TERAPIA </span><strong><span style="font-size:14pt;font-family:Tahoma;"><br />
</span></strong><strong><span style="font-size:14pt;font-family:Tahoma;"><br />
O termo Asinomediação é defendido e promovido pela corrente francesa que não praticando a equitação dos asininos, e querendo distanciar-se de todos os significados e simbologias do mundo equestre, acredita que devido ao carácter destes animais, só uma relação de “igual para igual” poderá promover actividades de mediação. Recorre-se primeiro que tudo ao respeito pelo animal e aquilo que ele é; depois ao facto de que onde não existe afecto e proximidade afectiva, não há uma relação de superação possível. Ou seja, nesta corrente o termo terapia é considerado uma consequência da eventual relação/mediação que se pode estabelecer com o burro, e para que esta aconteça é necessário estipular um plano a largo termo de intervenção multidisciplinar, competente e apta a avaliar o processo e os resultados.<br />
Na construção deste processo de mediação são sobretudo utilizadas abordagem lúdicas e pedagógicas, entre as quais passear com o burro a pé ou em carroça, a ultrapassagem de obstáculos (entre outras) são acções privilegiadas. Para estes, o termo Asinoterapia implica uma actividade que vise a “cura” obstinada de qualquer distúrbio psico-motor ou sócio-emocional, enquanto que acreditam que o segredo de qualquer relação terapêutica curativa entre humanos e animais é o próprio processo de estabelecimento da relação (que numa última etapa terapêutica seria o estabelecimento da relação connosco próprios), e como consequência esta tem o poder de revelação das nossas próprias capacidades curativas. É esta relação que permite a descoberta e a vivência de momentos gratificantes (objectivos à partida simples) que a Asinomediação procura estabelecer. Para esta corrente o termo mediação implica qualidade relacional.<br />
Se de facto o burriqueiro e técnico em Asinomediação compreender e tiver consciência das qualidades naturais do seu burro, do que ele é, e do que pode vir a ser para os outros, então ele pode sem dúvida proporcionar actividades com o seu burro que se desenrolem sobre o seu plano físico e posicionamento espacial e que usufruam também do espaço físico circundante, que por si só estabelece ligações/conecções (psicomotricidade e uso dos sentidos); que usufruam do seu comportamento e temperamento (pedagogia); que favoreçam as capacidades de expressão, de comunicação (uso da criatividade, da linguagem e seus simbolismos culturais)&#8230; que levam a um aumento do auto-conceito, e do auto-conhecimento&#8230; que levam a uma certa “libertação” pelo aumento da auto-estima&#8230; que podem proporcionar o ambiente e as circunstâncias e se assim o protagonista o desejar, conduzir a um processo curativo (terapia).<br />
Só uma relação desejada e/ou proporcionada, aceite, segura e sólida como pretende o método pela mediação, ajuda a superar o stress contínuo da avaliação, e da limitação (física e/ou psicológica) do quotidiano frente às necessidades especiais (que todos acabamos por apresentar de uma forma ou de outra). Os participantes são incentivados a posicionarem-se enquanto actores das actividades proporcionadas, cujo objectivo primeiro e último é o aportar de um bem-estar para estar-bem no quotidiano.<br />
Onde podemos afirmar que começa e acaba a Asinomediação e a Asinoterapia? Na minha humilde opinião não podemos. Sem mediação – um compromisso que põe de acordo, que concilia, que estabelece ou facilita uma relação (neste caso entre indivíduo e burro) – não haverá espaço para ocorrer qualquer acto terapêutico. A mediação é o próprio sistema de abertura a eventuais processos terapêuticos! O burro é o catalizador e objecto da relação, enquanto que os monitores desta mediação a impulsionam, proporcionam momentos criativos, interactivos intensificando assim a sua estimulação.<br />
Segundo a Nadèje Champeau a palavra Asinoterapia possui um sentido demasiado restritivo porque não tem em conta as actividades de acolhimento, pedagógicas, educativas, lúdicas&#8230; “donc on est allez cherchre plus loin”, a Asinomediação incoorpora o (&#8230;)”moment de vie partagée, constuction de l´espace d´accueil, relation triangulaire, empathie, régularité pour une mise en confience pour permettre à l´autre d´investir le cadre proposé et d´y jouer ce qu´il a à apprendre, à comprendre, à vivre, à lâcher (&#8230;) ; est-elle d´abord pédagogique (savoir faire, éducative (savoir être avec les autres), thérapeutique(savoir vivre avec soi), ludique (savoir jouer), ocupationnel (savoir s´oublier), rééducative (savoir se bouger).<br />
A mediação será então uma actividade na qual o sujeito participante virá “satisfazer-se” da relação, cujo ambiente e condições envolventes temos vindo a referir.<br />
È importante referir que ambas as técnicas/correntes partilham da interdisciplinaridade dos seguintes conceitos: segundo o Dr. Milonis (2004), o burro; o corpo; o movimento; o jogo; a relação utente/asinino/ terapeuta-monitor.</p>
<p>A Asinoterapia é a corrente defendida pelos ingleses que afirmam que os principais benefícios da relação entre paciente-burro são as que advêm da equitação em si. Defendem que são os movimentos e os diferentes passos do animal que proporcionam a nível psico-motor grandes benefícios. Contudo, tanto na Asinoterapia como na Asinomediação a criança ou adulto têm a possibilidade de desenvolver o seu potencial: a sua personalidade, a actividade cognitiva; a mobilidade; a motricidade fina e global; a linguagem e a comunicação, essenciais ao processo de socialização (de referir que este é também sempre um trabalho de grupo).<br />
A Associação The Donkey Sanctuary defende os seguintes aspectos como os principais benefícios gerais da Asinoterapia, que empregando o termo asinomediação também podem ser desenvolvidos:<br />
Confiança – desenvolvimento de sentimentos de confiança e consequente auto-estima relativamente ás habilidades de equitação, de relacionamento afectivo com o animal, ou de mera partilha na ultrapassagem de obstáculos/dificuldades com o animal;<br />
Força – fortalecimento do tónus muscular, mais sensibilidade muscular e flexibilidade;<br />
Equilíbrio – posicionamento do corpo e consciência deste no espaço;<br />
Coordenação, Atenção e Memória – domínio dos 5 sentidos em conjunto com a capacidade do animal em aceitar comandos;<br />
Mobilidade – movimentos mais rápidos, livres e independentes;<br />
Prazer – momentos de diversão e relaxamento.<br />
“Uma das qualidades mais importantes da asinoterapia consiste no facto de favorecer experiências que proporcionam estímulos e motivação, incidindo sobre reacções fisiológicas mensuráveis, quebrando as barreiras do isolamento e da não comunicação” (Milonis, 2004).<br />
As principais limitações que a Associação The Donkey Sanctuary identifica como impedidoras da equitação são idênticas às que encontramos na Hipoterapia: coluna instável, tumor na coluna, deslocamento do quadril ou das primeiras vértebras do pescoço, vertigens ou medo incontornável.<br />
Também é o “The Donkey Sanctuary” que afirma que dentro das patologias que podem sofrer melhorias significativas através da Asinoterapia/mediação encontramos a Síndrome de Down, o Autismo, os Traumas craneo-encefálicos, os AVC´s, Amputações, Desordens emocionais, Distrofias musculares, Dificuldades de atenção da fala e de aprendizagem, Paralisia cerebral, Espinha bífida, Atrasos Mentais, Distúrbios visuais/auditivo, Atraso no desenvolvimento neuropsicomotor, Paralisias, hemiplegias e amputações.<br />
É importante referirmos também após as definições apresentadas de asinomediação e asinoterapia que existem dois sectores específicos comummente utilizados nas terapias equestres e na intervenção com base na relação humano-animal, que por sua vez se encaixam uma e outra corrente, são estes:<br />
1) As actividades assistidas pelo animal -AAA<br />
2) A terapia assistida pelo animal -TAA<br />
As Actividades Assistidas pelo Animal são actividades que permitem melhorar a qualidade de vida, aumentando a motivação, o bem estar e a participação nas tarefas lúdico-pedagógicas e recreativas de animação e educativas. (é aqui que o burro surge como mediador e favorecedor de uma relação reabilitadora, numa vertente pedagógica, terapêutica e lúdica, este tipo de trabalho não requer a presença de um terapeuta e pode ser realizado por trabalhadores sociais, animadores, educadores).<br />
É o caso da Asinomediação.<br />
A Terapia Assistida pelo Animal é utilizada como auxiliar nas terapias convencionais, torna-se uma técnica de intervenção em que o animal tem um papel de co-terapeuta, de intermediário entre o técnico em zooterapia e o utente.<br />
É o caso da Asinoterapia.<br />
Qualquer que seja o objectivo – de mediação ou terapêutico – não podemos negligenciar o facto de que a ligação, o elo, o laço entre o participante e (neste caso) o burro somos nós. Somos nós (que acolhemos e conhecemos o burro) que:<br />
&#8211; devemos ter consciência acerca da forma como olhamos e interpretamos o outro, devemos fazer o esforço para nos colocarmos no seu lugar e adoptar os seus meios de comunicação;<br />
&#8211; devemos criar as condições e a motivação de ir ao encontro;<br />
&#8211; devemos questionar sempre a nossa intenção, Segundo Jean Oury (2003) a questão a se colocar a todo o momento é: o que é que eu faço aqui?;<br />
&#8211; devemos questionar-nos acerca daquilo que propomos: que contacto? que acolhimento? que actividades?;<br />
&#8211; devemos questionar-nos acerca das nossas capacidades de anfitriões, e gerir o nosso papel e posição nas actividades – “Notre role n´est pás de désirer quelque chose pour quelqu´n, mais d´être celui grâce auquel il peut advenir à son désir”, F. Dolto (1988);<br />
&#8211; devemos saber quando e como recuar para deixar o protagonista tomar as rédeas da acção, como diriam os franceses laisser faire…<br />
A Sra Nadéje Champeau deixar-nos-ia certamente a seguinte reflexão, como aconteceu na sua palestra durante o II Encontro de Terapias Assistidas por Animais em Miranda do Douro: Como é que vamos ao encontro do outro?<br />
&#8211; à conquista? &#8211; à descoberta? &#8211; ou ao encontro?<br />
Il faut regarder l’autre pour ce qu’il est …pas oublier que souvent l’animal ou l’enfant pour entrer en communication avec vous va IMITER vos gestes… il cherche la porte d’entrée ! ECHANGER&#8230; c´est le mot ! Entre quoi et quoi ? entre qui et qui ? Suppose un aller-retour ? C’est se donner à voir&#8230;</p>
<p></span></strong><strong><span style="font-weight:normal;font-size:14pt;font-family:Tahoma;">« O BURRO COMO UM RECURSO SOCIAL, LUDICO, PEDAGOGICO E TERAPEUTICO« </span></strong><strong><span style="font-size:14pt;font-family:Tahoma;"></p>
<p></span></strong><strong><span style="font-size:14pt;font-family:Tahoma;">A AEPGA tem apostado nestas sessões de carácter experimental marcadamente pedagógico, lúdico e cultural, pelo que os seus principais objectivos até agora foram a produção de material para os jogos lúdicos e pedagógicos, concepção de dinâmicas e a produção de fichas de caracterização e de avaliação das sessões; a própria divulgação das actividades junto dos agrupamentos escolares de Sendim e de Miranda, bem como junto dos respectivos encarregados de educação das crianças com NEE e restante comunidade; a projecção de Encontros formativos nesta terapêutica alternativa, o estabelecimento de contactos e parcerias, surgindo mesmo a possibilidade de se regularizar com a ECAE de Bragança-D protocolos que viabilizem o acolhimento das crianças sugeridas por estes.<br />
O principal impacto das sessões provocado nas crianças que participaram nas sessões descritas e avaliadas foram os momentos de socialização vividos, de convívio entre alunos de escolas diferentes, de aceitação da diferença, o jogo, os estímulos aos níveis psico-sociais e motores dos animais e a natureza, momentos de mediação com o ambiente físico e emocional envolvente.<br />
O principal impacto para a comunidade envolvida (escolas, famílias), com a promoção desta iniciativa, materializa-se na oportunidade de explorar e conhecer outros métodos e jogos de estimulação sensitiva, cognitiva, motora. A criação de outras actividades extra curriculares, que podem inclusivé assumir o papel de actividades de apoio pedagógico. A interacção das crianças com outras que partilham as mesmas dificuldades. A revitalização e reinvenção da cultura local associada ao Burro de Miranda. A criação de mais uma oportunidade de escolha, por entre os escassos recursos sócio-terapêuticos. </p>
<p></span></strong></p>
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