<?xml version="1.0" encoding="UTF-8" standalone="yes"?><oembed><version><![CDATA[1.0]]></version><provider_name><![CDATA[» bLógica]]></provider_name><provider_url><![CDATA[https://blogica.wordpress.com]]></provider_url><author_name><![CDATA[Carlos José Teixeira]]></author_name><author_url><![CDATA[https://blogica.wordpress.com/author/carlosteixeira/]]></author_url><title><![CDATA[OS NOVOS SUICIDÁRIOS]]></title><type><![CDATA[link]]></type><html><![CDATA[<p>[ in <a target="_blank" href="http://dn.sapo.pt/2006/09/30/sociedade/milhares_sites_net_incitam_suicidio.html"><strong>Diário de Notícias</strong></a> ] </p>
<p><strong>O enforcamento perfeito está descrito na Internet. O melhor caminho para a <em>overdose</em> ou o veneno ideal para uma morte rápida também. Sem regulação nem controlo, há actualmente 900 a 20 mil <em>sites </em>apostados em ensinar e incitar ao suicídio. Só no Reino Unido há registo de 16 mortes anunciadas em <em>sites</em> pró-suicídio e salas de conversação. Portugal já se estreou: em 2005, um jovem criou um blogue, avisou os leitores da sua intenção e matou-se.<br />
</strong><br />
Para piorar o cenário, a taxa de suicídios em Portugal duplicou nos últimos anos. Segundo Marta Roque, médica de Psiquiatria dos Hospitais da Universidade de Coimbra &#8211; e oradora nas sextas jornadas sobre Comportamentos Suicidários, que terminam hoje no Luso -, &#8220;é difícil estabelecer correlações entre os <em>sites</em> e o suicídio, porque há poucos estudos e os casos descritos na literatura científica foram muito mediatizados&#8221;, mas é urgente &#8220;um consenso internacional&#8221; para a regulação dos <em>sites</em>.</p>
<p>&#8220;Falta consenso para regular o acesso a <em>sites</em> suicidas, alguns com autênticas bizarrias a incitar ao suicídio&#8221;, afirma. &#8220;E também os clínicos devem estar alerta para o uso que os seus doentes para-suicidários [que tentaram o suicídio] fazem da Internet.&#8221; É que &#8220;essas páginas podem encorajar pessoas que já não estejam saudáveis ou até as que nunca tinham pensado nisso&#8221;, acrescenta.</p>
<p>Nos blogues portugueses, &#8220;há muita discussão sobre o suicídio, a propósito de casos concretos&#8221;, afirma Olga Ordaz, investigadora da Escola Superior de Enfermagem de Calouste Gulbenkian. &#8220;O caso do jovem que criou um blogue e se suicidou três dias depois foi muito comentado por outros <em>bloggers</em>&#8220;, exemplifica. &#8220;Habitualmente, os utilizadores da internet comentam se este é um acto de coragem ou de cobardia, falam na vontade que já tiveram de se suicidar e contam experiências.&#8221; Mas &#8220;não há um incitamento expresso ao suicídio&#8221;, garante. Com uma excepção: &#8220;A Wikipédia explica como se faz.&#8221; <em>(Ver caixa.)</em></p>
<p><strong>&#8220;É o preço a pagar&#8221;</strong></p>
<p>Para o vice-presidente da Ordem dos Psicólogos, Samuel Antunes, os artigos publicados na Internet representam &#8220;o preço que nós pagamos por querermos ter acesso a toda a informação&#8221;. Ainda assim, segundo o psicólogo, &#8220;não são os conteúdos dos <em>sites</em> que determinam o comportamento dos indivíduos&#8221;. Quem participa neste tipo de salas de conversação e comete suicídio &#8220;já tinha uma predisposição para o fazer&#8221;, diz.</p>
<p><strong>Mais de mil casos por ano<br />
</strong><br />
No final dos anos 90, a taxa anual de suicídios em Portugal era de 500. Em 2003 &#8211; últimos dados conhecidos -, o número &#8220;mais do que duplicou. &#8221; Uma &#8220;perda de esperança permanente&#8221; associada ao desemprego pode explicar o aumento &#8211; que se traduziu em 1200 casos em 2002 e 1100 em 2003. Na última década, o para-suicídio aumentou cerca de 25%, sendo um fenómeno mais frequente entre as adolescentes.</p>
<p>Os especialistas vão dizendo que não se podem tirar grandes conclusões dos números e do facto de a taxa ter duplicado na era da Internet. Querem esperar pelos dados de 2004 e 2005 &#8220;para apurar se, do ponto de vista epidemiológico e sociológico, estamos numa fase de crescendo&#8221;. A verdade é que a preparação do suicídio é uma experiência cada vez mais narrada na net. E o entusiasmo que gera nos leitores inegável. Veja-se o exemplo do blogue espanhol <em>Deseoso de suicidarme</em>. O autor escreve: &#8220;Este é o diário de um suicida. Uma janela aberta à estupidez da minha existência.&#8221; O último <em>post</em> foi escrito a 20 de Dezembro de 2004. Em cima do seu silêncio, outros deixam ainda comentários. &#8220;Quero suicidar-me&#8221; é o mais frequente.</p>
]]></html></oembed>