<?xml version="1.0" encoding="UTF-8" standalone="yes"?><oembed><version><![CDATA[1.0]]></version><provider_name><![CDATA[Cláudia Sofia]]></provider_name><provider_url><![CDATA[http://claudiasofia.pt]]></provider_url><author_name><![CDATA[Claudia Sofia]]></author_name><author_url><![CDATA[https://claudiasofia.pt/author/sophiaspotlight/]]></author_url><title><![CDATA[Toda a gente&nbsp;sabe…]]></title><type><![CDATA[link]]></type><html><![CDATA[<p class="font_8"><span>Por hábito vou pouco a cafés e ontem acordei com uma vontade enorme de me esconder no meio da multidão, que sempre enche os cafés mais concorridos. Assim que lá cheguei, sentei-me com uma garrafa de água à minha frente e um caderno de apontamentos à mão. A garrafa era daquelas que contem 33 cl de água. Lentamente virei a água no copo. Dentro caiu apenas o suficiente para tapar um terço do seu espaço.</span></p>
<p class="font_8"><span>A minha intenção era encontrar um espaço que me permitisse escrever. A minha intenção era escrever e, mesmo assim, o caderno de apontamentos, que tinha depositado próximo à minha mão direita, manteve-se fechado o tempo todo.</span></p>
<p class="font_8"><span>Aproveitei a oportunidade para ficar por ali a observar as várias pessoas que entravam e saíam depois de um café rápido. Os aromas do café acabado de tirar e as doçarias que enchiam as bocas de água misturavam-se no ar aos vários sons das colheres a rodar nas chávenas camufladas pelas expressões convictas daqueles que mal conseguiam suster as palavras dentro da boca.</span></p>
<p class="font_8"><span>Pouco tempo passou até que os meus ouvidos captassem uma conversa repleta de muitas convicções surreais, se bem que muito reais para quem as expunha. Quase de rajada, ouvi a frase “toda a gente sabe…” seguida de uma qualquer consideração política ou desportiva.</span></p>
<p class="font_8"><span>Em poucos minutos fiquei a saber que “toda a gente sabe” que todos os políticos, dirigentes desportivos e empresários de sucesso são corruptos e estão dispostos a tudo para levar a água ao seu moinho. Havia quem dissesse frequentemente que “todos eles fazem a panelinha juntos e depois cada um recebe o seu quinhão”.</span></p>
<p class="font_8"><span>Bem, a verdade é que a conversa terminou com o fim do cafezinho que bebiam todos os dias antes de se deslocarem para o trabalho. A conversa continuou com os que ficaram. Primeiro, sobre a família e respectiva saúde. Depois sobre o clube de futebol, que “está a fazer bons jogos, mas tem que começar a usar as armas que os outros usam ou não consegue ser campeão”. E por fim, sobre a situação de desemprego que se abateu sobre uma das famílias.</span></p>
<p class="font_8"><span>A conversa rumou direito à dificuldade que o casal tem em encontrar um novo emprego. O outro, preocupado com a situação, lembrou-se que conhecia alguém numa empresa – a quem, pelos vistos, tinha arranjado uma consulta no hospital – a quem iria “dar uma palavrinha”, terminando com um “sabe como é, uma mão lava a outra e as duas lavam a cara”.</span></p>
<p class="font_8"><span>Na minha cabeça começava a rodar a frase “toda a gente sabe”. Foi tão forte que perdi o fim da conversa. Mal me apercebi da saída da “panelinha” que se formava ali mesmo à minha frente. O bloco de apontamentos continua fechado, a água no copo a gelar a minha mão e o meu pensamento a fervilhar de nada para escrever ou dizer, apenas aquela frase me atormentava com um momento de pura desinspiração.</span></p>
<p class="font_8"><span>Enfim, “toda a gente sabe” que estas coisas acontecem no nosso lindo país à beira-mar plantado. Só não percebo porque “toda a gente se queixa”…</span></p>
]]></html><thumbnail_url><![CDATA[https://sophiaspotlight.files.wordpress.com/2017/05/todaagentesabe.jpg?fit=440%2C330]]></thumbnail_url><thumbnail_width><![CDATA[259]]></thumbnail_width><thumbnail_height><![CDATA[330]]></thumbnail_height></oembed>