<?xml version="1.0" encoding="UTF-8" standalone="yes"?><oembed><version><![CDATA[1.0]]></version><provider_name><![CDATA[Cláudia Sofia]]></provider_name><provider_url><![CDATA[http://claudiasofia.pt]]></provider_url><author_name><![CDATA[Claudia Sofia]]></author_name><author_url><![CDATA[https://claudiasofia.pt/author/sophiaspotlight/]]></author_url><title><![CDATA[Será que uma estrutura intersubjectiva de reconhecimento mútuo pode unir-se a uma acção comunicativa descentrada do mundo, criando assim um claro caminho de entendimento e respeito&nbsp;mútuo?]]></title><type><![CDATA[link]]></type><html><![CDATA[<p>Sim. Vejo a <em>estrutura intersubjectiva de reconhecimento mútuo</em> como a base de uma eficaz <em>acção comunicativa descentrada do mundo</em>, pois entendo que só assim será possível chegar a um entendimento e respeito mútuo. A mediação de conflitos, sejam eles familiares, profissionais, sociais ou transnacionais, assenta num pressuposto de entendimento mútuo. Este é alcançável através de uma <em>acção comunicativa</em> que reconheça as necessidades subjacentes ao conflito. E de que forma será possível fazê-lo, se não for conhecendo as divergências convictas e, através destas, chegar, por via de uma linguagem que respeite a razão das partes, às convicções comuns que levam a um reconhecimento intersubjectivo da pessoa como aquela pessoa e não outra.<br />
Parece-me útil a referência à<em> Teoria de Comunicação Não Violenta</em> de Marshall Rosenberg, uma vez que já foi aplicada a diversos conflitos por todo o mundo. E, de certa forma, une as teorias de Jürgen Habermas e Axel Honneth.<br />
Marshall Rosenberg defende que a violência, seja na forma como comunicamos, como nos comportamos ou seja na forma como tratamos os outros, nasce da educação punitiva e não da natureza do ser humano, passando uma ideia de necessidade de um trabalho profundo na educação de uma sociedade mais consciente e compreensiva.<br />
A ligação que encontrei com Habermas e Honneth vem do facto de Rosenberg defender que a forma mais eficaz de nos conectar com as outras pessoas é aprender como nos expressámos na linguagem da vida e como responder às mensagens que recebemos dos outros. Assim, diz que «<em>In Nonviolent Communication, we try to keep our attention focused by answering two critical questions: What’s alive in us? And what can we do to make life more wonderful?</em>» .<br />
Explica, de seguida, que para expressar o que está vivo em nós necessitamos de: observação sem julgar, para identificar o que gostámos e não gostámos das acções do Outro, sem misturar com avaliações e julgamentos das intenções do Outro; consciência dos nossos sentimentos, sem qualquer diagnóstico do Outro, apenas conscientes do que estamos a sentir (raiva, frustração, alegria, etc); consciência das nossas necessidades, para sermos capazes de identificar a fonte dos nossos sentimentos, já que estes últimos nascem das nossas necessidades e não do comportamento dos outros. Este processo de três níveis parece-me interligado com a intersubjectividade de Habermas e Honneth, que tanto condiciona a interacção social.<br />
A segunda questão está relacionada com a promoção de uma conexão empática com o Outro, procurando perceber e comunicar o que é que nós podemos fazer para tornar a vida mais maravilhosa, o que é que o Outro pode fazer para tornar a minha vida mais maravilhosa e o que é que Eu posso fazer para tornar a vida do Outro mais maravilhosa. Esta conexão empática envolve a capacidade de nos conectarmos com o que está vivo no Outro. Os três passos anteriores permitem desenvolver esta capacidade.<br />
Por fim, a Comunicação Não Violenta ensina uma forma de ver a beleza no Outro, independentemente do comportamento, linguagem ou mesmo cultura que este adopte, projectando, assim, um caminho de maior consciência, tolerância e bondade para com o Outro, em virtude de o Eu ser parte integrante desse mundo da vida que nos testa, questiona e prepara para lidar com a diferença inerente à contemporaneidade.</p>
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