<?xml version="1.0" encoding="UTF-8" standalone="yes"?><oembed><version><![CDATA[1.0]]></version><provider_name><![CDATA[Cláudia Sofia]]></provider_name><provider_url><![CDATA[http://claudiasofia.pt]]></provider_url><author_name><![CDATA[Claudia Sofia]]></author_name><author_url><![CDATA[https://claudiasofia.pt/author/sophiaspotlight/]]></author_url><title><![CDATA[“Pontapé de Saída”]]></title><type><![CDATA[link]]></type><html><![CDATA[<p style="text-align:center;"><strong>&#8220;&#8221;</strong></p>
<p><em>«O que é que vês quando olhas para o Tejo?»</em><br />
<em>«O que é que vejo? O rio&#8230;»</em><br />
<em>«Certo. E só vês o rio?»</em><br />
<em>«Sim.»</em><br />
<em>«E se olhares para o Tejo à noite? O que é que vês?»</em><br />
<em>«Nada. Está escuro. Não consegues&#8230; ah ok. Já percebi. Vês o rio, vês o sol, vês o mar, vês tudo o que está subjacente à imagem do Tejo, tudo o que o constituí e complementa. Certo?»</em><br />
<em>«Certo. Vês a imagem completa e vês cada frame da imagem. Na vida também é assim. A filosofia acaba por preparar o teu cérebro para ver além do que a tua percepção identifica à primeira vista. Enfim, ensina-te a questionar o que vês!»</em><br />
<em>«Queres dizer que a filosofia te ajuda a ver os pormenores com maior atenção?»</em><br />
<em>«Quero dizer que a filosofia te ajuda a desconstruir o que a tua percepção constrói. Para isso é necessário que consigas ver os pormenores que fazem parte dessas construções. E quando os identificas, podes definir aqueles que realmente são úteis à tua vida, tendo em conta a tua missão neste mundo, os teus objectivos – basicamente o que pretendes da vida.»</em><br />
<em>«Quem dera que fosse assim tão fácil.»</em><br />
<em>«Porquê?»</em><br />
<em>«Porque às vezes somos obrigados a fazer coisas que até nem queremos fazer, mas a nossa sobrevivência depende disso.»</em><br />
<em>«Como por exemplo?»</em><br />
<em>«Oh. Sei lá!»</em><br />
<em>«Sabes. Há algo que tu gostarias de mudar na tua vida e não mudas porque a tua sobrevivência depende disso.»</em><br />
<em>«Como é que sabes?»</em><br />
<em>«Porque falaste nisso.»</em><br />
<em>«Hum&#8230;»- ficou pensativa &#8211; «É verdade. Trabalho em algo que não gosto porque preciso de sobreviver e não arranjo trabalho no que gosto.» &#8211; deu-lhe tempo para respirar e pensar melhor nas palavras &#8211; «Quer dizer, eu gosto do que faço. Detesto o ambiente em que trabalho. Não me identifico com a política empresarial com que tenho que trabalhar.»</em><br />
<em>«Se há uma coisa que aprendi ao longo da vida é que se não consegues ser feliz com a vida que tens, também não vais ser feliz com a vida que queres ter. Acredita!»</em><br />
<em>«Então, mas isso é muito pessimista. Quase parece que não vale a pena lutar pela vida que queremos.»</em><br />
<em>«É exactamente o contrário. O que é que desejas mais na vida?»</em><br />
<em>«Sei lá!»</em><br />
<em>«Eu quero ser feliz. E, olhando bem para ti, tu também. Como todo o mundo.»</em><br />
<em>«Ah! Claro. Mas isso é óbvio! Pensei que estavas a falar sobre o que queria ter ou fazer.»</em><br />
<em>«Falava apenas do óbvio, do ser. Então pergunto: se queres ser feliz, porque raio estás à espera?»</em><br />
<em>«Como assim?»</em><br />
<em>«Tu queres ser feliz. O ser depende de ti apenas. De mais nada ou ninguém. Não tens que ter ou fazer para ser! Certo?»</em><br />
<em>«Ah ok! Certo.»</em><br />
<em>«Então, o que é que te impede de ser feliz?»</em><br />
<em>«O que é isso de felicidade?» &#8211; sorri.</em><br />
<em>«Ora aí está uma pergunta que a filosofia procura desde sempre responder. Aliás, todos nós nos debatemos com esta e outras perguntas. E é aqui que a filosofia nos é mais útil. A filosofia ajuda-nos a perceber que há conceitos que fazem parte de nós e que não nos servem. Esses conceitos ou crenças acabam por nos condicionar, impedem-nos de apenas ser. Afinal, durante toda a nossa vida ouvimos ideologias que confundem o ser com o fazer e o ter.»</em><br />
<em>«Queres dizer então que eu estou a confundir o ser com o ter e fazer ao dizer que não me identifico com as políticas empresariais da minha empresa?»</em><br />
<em>«Olha, eu amo o meu trabalho. Mesmo assim, há pessoas, situações, políticas, instituições com as quais não me identifico e as quais não posso evitar. A verdade é que sinto-me feliz por fazer o que faço, sinto-me feliz por ter o que tenho. Sabes porquê?»</em><br />
<em>«Oh! Porque gostas do que fazes.»</em><br />
<em>«Porque sou feliz independentemente do trabalho, das pessoas, das situações&#8230; sou feliz independentemente do que a vida me traz. E sou grato por ser assim!»</em><br />
<em>«Hum&#8230;»</em><br />
<em>«Sofia&#8230; há situações muito difíceis de ultrapassar na vida. Quando pensas que te a amam e, na realidade, não te amam; apenas querem estar contigo por vaidade ou interesse. Ou então, quando toda a gente que te ama e admira espera que tu sejas bem sucedido, é muito difícil lidar com o insucesso. Sentes que desiludiste o mundo inteiro – pelo menos o teu mundo. E é nesses momentos que percebemos a força de um insucesso. A falta que ele nos faz para percebermos claramente a sorte que temos. Aconteceu-me há bem pouco tempo. Pensei que nunca mais ia conseguir olhar de frente para alguém. Queres saber a melhor? No dia seguinte sentia o corpo pesado e a alma leve, muito leve. Tinha uma alegria dentro de mim impressionante. Sabes porquê?»</em><br />
<em>«Não. Porquê?»</em><br />
<em>«Porque o insucesso era passado e repleto do meu esforço. Naquela manhã abriram-se mil e uma oportunidades para ter sucesso. A vida não acabou ali. A vida renovou-se ali. E o insucesso transformou-se em experiência, em saber que me permite hoje estar novamente a lutar por mais um sucesso e de uma forma mais consciente e confiante.»</em><br />
<em>«Quem me dera ser assim!»</em><br />
<em>(risos) «Não precisas de ser assim. O que precisas é de perceber que crenças estão a impedir-te de seres quem és. Foi isso que aconteceu comigo. Muitas vezes me recriminei por estar sempre com um sorriso nos lábios quando existia tanta tristeza no mundo. A verdade é que se já existe tanta tristeza, o mundo precisa que eu lhe traga felicidade para equilibrar a balança. Cada um de nós tem o seu papel no mundo. Quem sabe o teu é demonstrares que as políticas empresariais seguidas estão obsoletas?!»</em><br />
<em>«Quem sabe?»</em><br />
<em>Riram por alguns minutos em silêncio. E lá continuaram numa conversa animada.</em></p>
<p style="text-align:center;"><strong><em>&#8220;&#8221;</em></strong></p>
<p>in <a href="http://claudiasofia.pt/publicacoes/outros-contos/internem-me-so-posso-estar-louca/">Internem-me! Só posso estar louca!</a></p>
]]></html><thumbnail_url><![CDATA[https://sophiaspotlight.files.wordpress.com/2018/05/girl-smiling-with-balloons-while-her-boyfriend-carries-her-on-her-back_23-2147595934.jpg?fit=440%2C330]]></thumbnail_url><thumbnail_width><![CDATA[440]]></thumbnail_width><thumbnail_height><![CDATA[293]]></thumbnail_height></oembed>