<?xml version="1.0" encoding="UTF-8" standalone="yes"?><oembed><version><![CDATA[1.0]]></version><provider_name><![CDATA[Movimento Jovens Pelo Sim]]></provider_name><provider_url><![CDATA[https://jovenspelosim.wordpress.com]]></provider_url><author_name><![CDATA[jovenspelosim]]></author_name><author_url><![CDATA[https://jovenspelosim.wordpress.com/author/jovenspelosim/]]></author_url><title><![CDATA[Mães Pelo Sim]]></title><type><![CDATA[link]]></type><html><![CDATA[<p>Tenho um filho de dois anos e meio. Foi planeado, muito desejado e muito amado desde o ventre. Por já ter estado grávida, por ter tido um filho na barriga que foi desejado desde o primeiro instante, é que sei que nenhuma mulher que seja honesta consigo própria pode dizer que um embrião em início de gestação é equivalente a um feto formado ou a um bebé recém-nascido. Mesmo num bebé muito desejado, o amor da mãe pelo que carrega no ventre vai crescendo e esse crescimento depende do que projectamos nele e do que ouvimos e sentimos do lado de dentro, dos sinais inequívocos da presença física do bebé dentro de nós: o bater do coração, os pontapés, os soluços&#8230; Ninguém pensa verdadeiramente o contrário senão, como muitos que defendem o Sim já argumentaram, pediriam a pena por homicídio para a mulher que aborta em qualquer situação, seja por opção, seja por perigo para a saúde da mãe, seja por malformação do feto, seja por violação.<br />
A maternidade é algo de muito intenso. Intenso no lado bom, no lado maravilhoso, no privilégio que é poder ver uma criança crescer e aprender e estar lá, contribuir para isso. Mas também no lado menos cor-de-rosa, na exigência psíquica, emocional, física e na responsabilidade de criarmos as melhores condições para que o nosso filho cresça feliz.<br />
É por isso que não posso aceitar uma lei que puna uma mulher que em determinada altura da vida decidiu fazer um aborto por razões que só a ela dizem respeito. Engravidar acontece, mesmo quando se tomam precauções. Não é crime não querer ser mãe, seja num determinado momento da vida (por exemplo, na adolescência), seja a vida toda. O que há que impedir a todo o custo é que uma mulher seja obrigada a recorrer ao aborto clandestino para poder lidar com a situação de uma gravidez indesejada. Correndo risco de vida, correndo o risco de quando desejar de facto ser mãe não o poder porque a falta de condições do aborto que fez a deixou infértil, correndo o risco de ir parar a um hospital com sequelas e ser insultada e denunciada à polícia.<br />
A medida recentemente proposta pelos defensores do não, a promessa da não penalização da mulher que aborta, repugna-me. Porque o que dizem é que não faz mal fazer um aborto desde que a gente não veja, desde que seja às escondidas, sem condições, sem aconselhamento, ilegal. O que dizem é: ninguém te penalizará, mas faz bem longe da nossa vista para fingirmos que não existe.<br />
Argumentar que a maioria dos abortos se fazem depois das dez semanas é ser desonesto. Porque como já alguém frisou, quando a mulher não tem condições para abortar fora do país, normalmente custa-lhe reunir condições para abortar dentro, leva tempo a encontrar o local, o dinheiro, a coragem. E o tempo passa. Permitir o aborto com aconselhamento até às dez semanas em estabelecimento de saúde legalmente autorizado é contribuir para que esses prazos não sejam ultrapassados, para que a mulher possa ser acompanhada e aconselhada, eventualmente recuar na sua decisão e sobretudo contribuir para uma prevenção mais eficaz ao nível da informação sobre a contracepção. E por isso o meu voto não pode senão ser Sim.</p>
<p>Mariana Pinto dos Santos, mãe</p>
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