<?xml version="1.0" encoding="UTF-8" standalone="yes"?><oembed><version><![CDATA[1.0]]></version><provider_name><![CDATA[largodoscorreios]]></provider_name><provider_url><![CDATA[https://largodoscorreios.wordpress.com]]></provider_url><author_name><![CDATA[largodoscorreios]]></author_name><author_url><![CDATA[https://largodoscorreios.wordpress.com/author/largodoscorreios/]]></author_url><title><![CDATA[As Pinturas do meu Irmão&nbsp;Júlio]]></title><type><![CDATA[link]]></type><html><![CDATA[<p style="text-align:justify;"><a href="https://largodoscorreios.files.wordpress.com/2012/10/josc3a9-jc3balio-e-manoel.jpg"><img loading="lazy" data-attachment-id="2306" data-permalink="https://largodoscorreios.wordpress.com/2012/10/14/as-pinturas-do-meu-irmao-julio/jose-julio-e-manoel/" data-orig-file="https://largodoscorreios.files.wordpress.com/2012/10/josc3a9-jc3balio-e-manoel.jpg" data-orig-size="770,307" data-comments-opened="1" data-image-meta="{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;}" data-image-title="josé, júlio e manoel" data-image-description="" data-medium-file="https://largodoscorreios.files.wordpress.com/2012/10/josc3a9-jc3balio-e-manoel.jpg?w=300" data-large-file="https://largodoscorreios.files.wordpress.com/2012/10/josc3a9-jc3balio-e-manoel.jpg?w=770" class="alignnone size-full wp-image-2306" title="josé, júlio e manoel" alt="" src="https://largodoscorreios.files.wordpress.com/2012/10/josc3a9-jc3balio-e-manoel.jpg?w=584&#038;h=232" height="232" width="584" srcset="https://largodoscorreios.files.wordpress.com/2012/10/josc3a9-jc3balio-e-manoel.jpg?w=582&amp;h=232 582w, https://largodoscorreios.files.wordpress.com/2012/10/josc3a9-jc3balio-e-manoel.jpg?w=150&amp;h=60 150w, https://largodoscorreios.files.wordpress.com/2012/10/josc3a9-jc3balio-e-manoel.jpg?w=300&amp;h=120 300w, https://largodoscorreios.files.wordpress.com/2012/10/josc3a9-jc3balio-e-manoel.jpg?w=768&amp;h=306 768w, https://largodoscorreios.files.wordpress.com/2012/10/josc3a9-jc3balio-e-manoel.jpg 770w" sizes="(max-width: 584px) 100vw, 584px" /></a></p>
<p style="text-align:justify;"><strong>Seria redundante lembrar aqui, com dispensáveis pormenores, o que foi a fraterna e cúmplice amizade entre dois homens de invulgar cultura: José Régio e Manoel de Oliveira.</strong></p>
<p style="text-align:justify;"><strong>Nascido a partir duma sábia crítica do primeiro à curta-metragem <i>Douro Faina Fluvial</i> (<i>presença</i> n.º 33, Junho-Outubro de 1931), o encontro entre eles proporcionaria aquilo que o ensaísta António Preto considerou como “<i>um dos acontecimentos mais profícuos e determinantes do percurso dos dois autores, em toda a reciprocidade</i>.”</strong></p>
<p style="text-align:justify;"><strong>Em 1963, o documentário <i>Acto da Primavera</i> intensificou o entendimento entre Oliveira (realizador) e Régio (consultor literário e cultural). </strong></p>
<p style="text-align:justify;"><strong>Seguir-se-ia um novo capítulo nesta aliança, através da interpretação fílmica de temas proporcionados pelo autor da <i>Toada</i>. Pode citar-se <i>As Pinturas do meu Irmão Júlio</i> (1965), <i>Benilde ou a Virgem-Mãe</i> (1975), <i>O meu Caso</i> (1987), <i>O Quinto Império – Ontem como Hoje</i> (2004), <i>O Poeta Doido, O Vitral e a Santa Morta</i> (2008, mas iniciado em 1965) e <i>A Vida e a Morte – Romance de Vila do Conde</i> (2008, mas igualmente iniciado em 1965).</strong></p>
<p style="text-align:justify;"><strong>Manoel de Oliveira, cuja fabulosa sobrevivência criativa se mantém, nunca esqueceu o seu amigo José Régio, embora o tenha perdido fisicamente em 1969. Ainda há poucos anos, em notável entrevista pública, ele dizia sobre Régio que “<i>a verdadeira originalidade está na personalidade de cada artista</i>.” E lembrava que, embora o poeta estivesse “<i>um bocado esquecido… ele virá</i>…”</strong></p>
<p style="text-align:justify;"><strong> <a href="https://largodoscorreios.files.wordpress.com/2012/10/josc3a9-jc3balio-e-manoel-1.jpg"><img loading="lazy" data-attachment-id="2307" data-permalink="https://largodoscorreios.wordpress.com/2012/10/14/as-pinturas-do-meu-irmao-julio/jose-julio-e-manoel-1/" data-orig-file="https://largodoscorreios.files.wordpress.com/2012/10/josc3a9-jc3balio-e-manoel-1.jpg" data-orig-size="752,506" data-comments-opened="1" data-image-meta="{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;}" data-image-title="josé, júlio e manoel 1" data-image-description="" data-medium-file="https://largodoscorreios.files.wordpress.com/2012/10/josc3a9-jc3balio-e-manoel-1.jpg?w=300" data-large-file="https://largodoscorreios.files.wordpress.com/2012/10/josc3a9-jc3balio-e-manoel-1.jpg?w=752" class="alignnone size-full wp-image-2307" title="josé, júlio e manoel 1" alt="" src="https://largodoscorreios.files.wordpress.com/2012/10/josc3a9-jc3balio-e-manoel-1.jpg?w=584&#038;h=392" height="392" width="584" srcset="https://largodoscorreios.files.wordpress.com/2012/10/josc3a9-jc3balio-e-manoel-1.jpg?w=584&amp;h=392 584w, https://largodoscorreios.files.wordpress.com/2012/10/josc3a9-jc3balio-e-manoel-1.jpg?w=150&amp;h=101 150w, https://largodoscorreios.files.wordpress.com/2012/10/josc3a9-jc3balio-e-manoel-1.jpg?w=300&amp;h=202 300w, https://largodoscorreios.files.wordpress.com/2012/10/josc3a9-jc3balio-e-manoel-1.jpg 752w" sizes="(max-width: 584px) 100vw, 584px" /></a></strong></p>
<p style="text-align:justify;"><strong>Pretendo hoje recordar aqui uma obra praticamente desconhecida de Manoel de Oliveira, que junta José Régio e o seu irmão Júlio, pintor e poeta (Saul Dias).</strong></p>
<p style="text-align:justify;"><strong>Trata-se precisamente da curta-metragem <i>As Pinturas do meu Irmão Júlio</i>, datada de 1965. Esta obra, que nunca teve qualquer estreia comercial, foi recentemente recuperada por meio de tecnologia digital, assim saindo do limbo do esquecimento onde permaneceu durante muitas décadas.</strong></p>
<p style="text-align:justify;"><strong>O texto, curto e sincopado, é da autoria do próprio Régio, ao tempo vivendo em Vila do Conde, donde o irmão Júlio estava ausente. A memória deste é feita através das pinturas que povoam a velha casa minhota de ambos.</strong></p>
<p style="text-align:justify;"><strong>Manoel de Oliveira filma tal sentimento por intermédio desse universo pictórico, usando a sua genialidade criativa. A passagem pelas figuras, com os <em>zooms</em> e os <em>travellings</em> usados com mestria (<em>Os Habitantes de Aquela Casa</em>, de Ernesto Oliveira?) cria sugestões de visitação apenas pressentidas. Nunca mostra um quadro na sua integral globalidade, antes fazendo a câmara (logo, o espectador) mover-se pelo “interior” da cada tela, de cada cor, de cada mancha, de cada traço. Numa espécie de labiríntica vertigem (<i>Vertigo</i>, de Hitchcok?) Oliveira recria e recria-nos sensações e angústias quase indizíveis.</strong></p>
<p style="text-align:justify;"><strong>Este clima fílmico é adensado, ou sublinhado, pela banda sonora assinada por mestre Carlos Paredes, num fabuloso improviso em guitarra portuguesa, conduzindo-nos através da música no tal percurso (quase) errante, escolhido pelo realizador, por entre o universo pictórico de Júlio. O sábio prolongamento do magífico improviso por alguns minutos após o termo das imagens constitui o toque mágico que nos faz regressar do sonho à terra firme.</strong></p>
<p style="text-align:justify;"><strong>Com cerca de 17 minutos, em notável restauro que nos possibilita o acesso a uma obra-prima quase perdida, o documentário <i>As Pinturas do meu Irmão Júlio</i> permite-nos, por momentos, um raro reencontro com três homens de cultura nacional da mais alta qualidade.</strong></p>
<p style="text-align:justify;"><strong>A versão a seguir apresentada é italiana, aquela onde a qualidade técnica me pareceu mais preservada. Esta circunstância é meramente simbólica, dado que a narração é em língua portuguesa e bastante curta, pelo que a legendagem constitui um mero pormenor.</strong></p>
<p style="text-align:justify;"><strong>A memória cinematográfica portuguesa do século XX ficou, assim, muito bem servida. E todos ganhámos com isso.</strong></p>
<p style="text-align:right;"><strong> </strong><strong><i>António Martinó de Azevedo Coutinho</i></strong></p>
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