<?xml version="1.0" encoding="UTF-8" standalone="yes"?><oembed><version><![CDATA[1.0]]></version><provider_name><![CDATA[]]></provider_name><provider_url><![CDATA[http://leplaytime.pt]]></provider_url><author_name><![CDATA[madmad]]></author_name><author_url><![CDATA[https://leplaytime.pt/author/mgalamba/]]></author_url><title><![CDATA[Chico]]></title><type><![CDATA[link]]></type><html><![CDATA[<p><a href="https://leplaytime.files.wordpress.com/2014/06/icon-09.png"><img data-attachment-id="3235" data-permalink="https://leplaytime.pt/2014/06/19/chris-marker-uma-rampa-para-o-ceu/icon-09/" data-orig-file="https://leplaytime.files.wordpress.com/2014/06/icon-09.png" data-orig-size="91,91" data-comments-opened="1" data-image-meta="{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;}" data-image-title="icon-09" data-image-description="" data-medium-file="https://leplaytime.files.wordpress.com/2014/06/icon-09.png?w=91" data-large-file="https://leplaytime.files.wordpress.com/2014/06/icon-09.png?w=91" class="aligncenter size-full wp-image-3235" src="https://leplaytime.files.wordpress.com/2014/06/icon-09.png?w=91&#038;h=91" alt="icon-09" width="91" height="91" /></a><a href="https://leplaytime.files.wordpress.com/2015/06/chico.jpg"><img data-attachment-id="3776" data-permalink="https://leplaytime.pt/2015/06/01/chico/chico/" data-orig-file="https://leplaytime.files.wordpress.com/2015/06/chico.jpg" data-orig-size="786,550" data-comments-opened="1" data-image-meta="{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}" data-image-title="chico" data-image-description="" data-medium-file="https://leplaytime.files.wordpress.com/2015/06/chico.jpg?w=300" data-large-file="https://leplaytime.files.wordpress.com/2015/06/chico.jpg?w=786" class="aligncenter size-large wp-image-3776" src="https://leplaytime.files.wordpress.com/2015/06/chico.jpg?w=1024&#038;h=717" alt="chico" srcset="https://leplaytime.files.wordpress.com/2015/06/chico.jpg 786w, https://leplaytime.files.wordpress.com/2015/06/chico.jpg?w=150&amp;h=105 150w, https://leplaytime.files.wordpress.com/2015/06/chico.jpg?w=300&amp;h=210 300w, https://leplaytime.files.wordpress.com/2015/06/chico.jpg?w=768&amp;h=537 768w" sizes="(max-width: 786px) 100vw, 786px"   /></a>Nem que seja pela entrada gloriosa, vale a pena ler a <a href="http://elpais.com/elpais/2015/05/22/eps/1432308262_225624.html">entrevista que Chico Buarque deu ao El País Semanal</a>,  e que começa assim: &#8220;<em>Solo hay algo más difícil que encontrar a un hombre que hable mal en Brasil de <a href="http://cultura.elpais.com/cultura/2014/06/19/actualidad/1403198922_940637.html" target="_blank">Chico Buarque</a>: encontrar a una mujer que no esté enamorada de él</em>.&#8221;</p>
<p><!--more-->Não sei se me atrevo, mas cá para mim, com tanto mar, tanto mar, desconfio que em Portugal passa-se o mesmo. Eu sou a primeira a levantar o platónico dedo alegremente. Conheço uma data de machos que, reconhecendo-lhe o talento, não o suportam (&#8220;É um malandro, sabe-a toda&#8221;).</p>
<p>Gosto do Chico desde que me lembro de mim. &#8220;Por amor&#8221; como dizem os meus filhos quando têm alguma inclinação &#8211; <em>infatuation</em>&#8211; mais desassossegante :&#8221;Mas gostas dela <em>por amor</em>?&#8221;. Não há nada a fazer e podia ser filho do Hitler e gostava dele à mesma.</p>
<p>Uma vez, chegada a casa em estado algo vaporoso, dei de caras com o meu primo A., que me lançou, lá do cimo das escadas: &#8220;Lindas horas, e não vens acompanhada?&#8221;. Na altura, atravessava uma radical e voluntária fase de abstinência amorosa, pelo que lhe respondi: &#8220;Meu caro, nem que fosse o Chico a fazer-me uma serenata. Népia.&#8221; Ele não percebeu &#8220;O Chico, qual Chico?&#8221;. &#8220;O Buarque, por Deus! Mas há outro?&#8221;, esclareci como pude. O meu primo ficou preocupadíssimo. Está mesmo desnorteada a miúda, deve ter pensado. &#8220;Mas esse não tem para aí 70 anos?&#8221;</p>
<p>Não perdi mais tempo com explicações. Era tarde e precisava de sono. Tem. Até tem mais, <em>and I couldn&#8217;t care less</em>. O Chico, e os seus olhos de ostra, e a sua dicção perfeita, e a sua voz  que é mel na sopa, ou sopa no mel, o que é que isso interessa, o Chico que canta com escreve e escreve melhor que canta, o Chico é o Chico, por Deus, e por isso é que todas as mulheres, de todas as idades, de todos os lugares, em todos os momentos, se apaixonam por ele, ou isso deviam, pelo menos uma vez na vida.</p>
<p>No meu caso, fui precoce. Apaixonei-me para aí aos cinco anos. Perdidamente. A capa do disco hipnotizava-me. A agulha do pick-up, concluindo o seu leve e indeciso voo precisamente ali, para emitir um som poeirento e cristalino, era o anúncio de que alguma coisa muito boa ia acontecer. Como diz o meu amigo C. a propósito de outras coisas do outro mundo, ouvi-lo era &#8220;falar com Deus&#8221;. Ainda é.</p>
<p>Porque era &#8220;o Chico&#8221;, passei muito tempo a acreditar que aquele senhor era amigo dos meus pais. Que qualquer dia passava lá em casa. Quando percebi que o Chico, Buarque, se chamava &#8220;de Hollanda&#8221; instalou-se a confusão. Mas se era brasileiro porque é que não falava holandês. Ou vice-versa. A resposta veio. Chico era chico e podia falar todas as línguas que quisesse. O cavalo dele também. &#8220;Agora eu era o herói/ e o meu cavalo só falava inglês/ A noiva do cowboy/ Era você para além das outras três&#8221;. Também podia ter todas as namoradas que quisesse, podia voltar que estava sempre perdoado. Desde que me embalasse naquelas tardes de pasmaceira na rede brasileira, eu era feliz.</p>
<p>Os anos passaram e fui descobrindo outros Chicos dentro do Chico. O político. O malandro. O exilado. O escritor. O homem que canta as mulheres por dentro e por fora, do avesso, como se fosse mesmo uma de nós. Canta-nos tão bem que até irrita. Arrelia um bocadinho e depois perdoa-se.</p>
<p>Nunca vi o Chico. O mais perto que estive dele deve ter sido quando um amigo me disse que tinha jogado futebol com o Chico e uma data de músicos, algures em Lisboa. Perguntei-lhe se lhe tinha apertado a mão e acho que disse que sim. Sugeri que não lavasse a mão mas tinhamos o jantar à espera ou coisa assim. E as crias esfomeadas.</p>
<p>Não consigo fazer uma lista das minhas músicas preferidas de Chico Buarque porque gosto de todas. São as partezinhas mais lindas de um todo esplendoroso e irrepetível. Mas se fosse uma &#8220;daquelas mulheres&#8221; que Chico canta por fora, não tenho uma dúvida: queria ser<a href="https://www.youtube.com/watch?v=DTfpXJeofOg"> a dos mil refletores</a>.</p>
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]]></html><thumbnail_url><![CDATA[https://leplaytime.files.wordpress.com/2015/06/chico.jpg?fit=440%2C330]]></thumbnail_url><thumbnail_width><![CDATA[440]]></thumbnail_width><thumbnail_height><![CDATA[308]]></thumbnail_height></oembed>