<?xml version="1.0" encoding="UTF-8" standalone="yes"?><oembed><version><![CDATA[1.0]]></version><provider_name><![CDATA[Nau Catrineta]]></provider_name><provider_url><![CDATA[https://marujinho.wordpress.com]]></provider_url><author_name><![CDATA[marujinho]]></author_name><author_url><![CDATA[https://marujinho.wordpress.com/author/marujinho/]]></author_url><title><![CDATA[A Cantiga é Uma&nbsp;Arma]]></title><type><![CDATA[link]]></type><html><![CDATA[<p><b>Mais uma cantiga para recordar</b><br />
Escreveu o Sérgio Godinho <a href="https://marujinho.files.wordpress.com/2008/01/sergio-godinho.jpg" title="sergio-godinho.jpg"><img src="https://marujinho.files.wordpress.com/2008/01/sergio-godinho.thumbnail.jpg" alt="sergio-godinho.jpg" /></a></p>
<p>e cantou-a o Zé Mário Branco   <a href="https://marujinho.files.wordpress.com/2008/01/ze-mario-branco.jpg" title="ze-mario-branco.jpg"><img src="https://marujinho.files.wordpress.com/2008/01/ze-mario-branco.thumbnail.jpg" alt="ze-mario-branco.jpg" /></a>                      em &#8220;Mudam-se os tempos&#8230;&#8221;.</p>
<p><b>&#8220;Cantiga para pedir dois tostões&#8221;</b></p>
<p>Nos carris<br />
vão dois comboios parados<br />
foste longe e regressaste<br />
trazes fatos bem cuidados<br />
E já pensas<br />
em dourar o teu portão<br />
se és senhor de dez ou vinte<br />
és criado de um milhão<br />
Regressaste<br />
Com um dedo em cada anel<br />
e projectos num papel<br />
e amigos esquecidos<br />
Tempos idos<br />
são tempos que voltarão<br />
em que pedirás ao chão<br />
os banquetes prometidos</p>
<p>Milionário que voltaste<br />
dois tostões p&#8217;rós que atraiçoaste</p>
<p>Fazes pontes<br />
sobre rios e valados<br />
mas quando o cimento seca<br />
já morremos afogados<br />
Fazes fontes<br />
no silêncio das aldeias<br />
e a sede é tal que bebemos<br />
até ter água nas veias<br />
Instituíste<br />
guarda-sóis e manda-chuvas<br />
lambe-botas, beija-luvas<br />
pedras-moles e águas-duras<br />
inauguras<br />
monumentos ao passado<br />
que está morto e enterrado<br />
entre naus e armaduras</p>
<p>Milionário que voltaste<br />
dois tostões p&#8217;rós que atraiçoaste</p>
<p>Quanto a nós<br />
nós cantores da palidez<br />
nosso canto nunca fez<br />
filhos sãos a uma mulher<br />
Nem sequer<br />
passa mel nos nossos ramos<br />
pois a abelha que cantamos<br />
será mosca até morrer</p>
<p>Milionário que voltaste<br />
dois tostões p&#8217;rós que atraiçoaste</p>
]]></html><thumbnail_url><![CDATA[https://i2.wp.com/marujinho.wordpress.com/files/2008/01/sergio-godinho.thumbnail.jpg?fit=440%2C330]]></thumbnail_url><thumbnail_width><![CDATA[61]]></thumbnail_width><thumbnail_height><![CDATA[66]]></thumbnail_height></oembed>