<?xml version="1.0" encoding="UTF-8" standalone="yes"?><oembed><version><![CDATA[1.0]]></version><provider_name><![CDATA[Saudade, Aveiro! ]]></provider_name><provider_url><![CDATA[https://saudadeaveiro.wordpress.com]]></provider_url><author_name><![CDATA[Júlio Almeida]]></author_name><author_url><![CDATA[https://saudadeaveiro.wordpress.com/author/julio1970/]]></author_url><title><![CDATA[Na Felica o oleiro ainda usa a roda e é mestre  na produção de&nbsp;azulejos]]></title><type><![CDATA[link]]></type><html><![CDATA[<p><strong>Fernando de Lima Carvalho é um dos poucos ceramistas que restam em atividade na região de Aveiro.</strong></p>
<p>&#8220;Sou conhecido como Felica e estou a caminho dos 74 anos, já lá vão mais de 40 a trabalhar na roda de oleiro&#8221;, apresenta-se abrindo a porta da oficina que tem na Quinta do Simão, em Esgueira.</p>
<p>Pelas suas mãos e da filha, Cidália Carvalho, que lhe segue os passos na arte, saem as mais diversas peças de cerâmica modelada (louça de barro vermelho e preto, por exemplo), figurativa e (muito) azulejo em relevo artesanal, que é a sua imagem de marca.</p>
<p>Natural de Oliveira de Azeméis, mas radicado em Aveiro desde catraio, começou por essa altura a lidar louça em barro, mas ainda sem pensar em tornar-se oleiro.</p>
<p>O que acontece mais tarde. O pai &#8220;negociava em cerâmica&#8221; e quando Felica assume as rédeas da casa repara que há encomendas que ficam por satisfazer.</p>
<p>&#8220;Os ceramistas não faziam o que eu precisava, então construí uma roda de oleiro e um forno e comecei a treinar, pelo que via dos outros. Fui aprendendo com artesãos mais velhos, que davam umas dicas&#8221;, lembra.</p>
<p>Antes de deitar as mãos ao barro a sério, usou-as em variadíssimos outros ofícios. &#8220;Tenho uma grande experiência de vida, a primeira arte que aprendi foi de cesteiro, aos oito anos. Depois fui sapateiro, pedreiro, carpinteiro, estive numa fábrica de cerâmica, serralheiro na metalurgia Casal e na Peugeot durante uns anos em França, tive várias profissões&#8221;, relata.</p>
<p>Dito isto, não se pode estranhar que Felica tivesse sido capaz de construir a maquinaria que usa na sua olaria artesanal para tratar do barro ou fazer os moldes e as peças em madeira que usa para as molduras onde encaixa azulejos &#8220;como deve ser&#8221;.</p>
<p>A visita guiada segue a mostrar, entre outras, a máquina que serve para cortar esquadria, as plainas, a máquina de amassar barro, as pressas &#8220;de várias toneladas&#8221; e, especialmente, os fornos a gás natural. &#8220;Sou eu que os faço, é marca Felica, estão inspecionados e aprovados. Os técnicos admiram-se como fui capaz&#8221;, refere com orgulho.</p>
<p>Sem poder, nem querer, competir com &#8220;fábricas que fazem 36 mil tigelas num dia&#8221;, a olaria Felica não deixa de ter &#8220;boas encomendas, clientes fiéis e umas surpresas pelo meio.&#8221;</p>
<p>Já teve de &#8220;suar muito&#8221; para fabricar quatro mil tigelas em 15 dias. É fornecedor quase oficial &#8220;de muitas feiras medievais&#8221; que lhe reconhecem qualidade e saber fazer que remontam para épocas distantes. &#8220;É material que parte mas ainda vai durando mais do que eu quero&#8221;, ironiza.</p>
<p><strong>A encomenda especial para o país do sol nascente</strong></p>
<p>Da oficina da Quinta do Simão saíram peças &#8220;para todo o mundo&#8221;. Na cidade de Lille, em França, há um restaurante que usa apenas louça &#8216;Felica&#8217; vidrada em preto. &#8220;Queriam artesanato e não encontravam como pretendiam até verem o que eu fazia&#8221;, refere.</p>
<p>Chegam-lhe de quando em vez encomendas de peças de estudantes de design universitários, por exemplo. &#8220;Aquilo vem tudo em desenhos, cotas e medidas, com rigor enorme. Ficam atrapalhados quando tem um centímetro a mais, depois acalmam: o barro leva água e após secar encolhe!&#8221;, brinca.</p>
<p>&#8220;A indústria também não se compadece com o artesanato&#8221;, acrescenta, lembrando a desilusão de um empresário &#8220;que pensava ser possível replicar em fábrica as assadeiras artesanais feitas na olaria.&#8221;</p>
<p>Para o país do sol nascente seguiu, recentemente, uma encomenda que tinha uma condição. &#8220;Fiz o azulejo e uma designer japonesa é que veio aprender a decorar. Ela pintou, ensinada por nós. Mais de 50 quilos de azulejos enviados de avião. Aquilo ficou jeitoso&#8221;, diz.</p>
<p>Há também quem o procure &#8220;em socorro&#8221; para fazer réplicas de azulejos antigos necessários a compor fachadas esventradas pelo tempo.</p>
<p>Não faltam &#8216;estórias&#8217; do género: &#8220;um indivíduo veio por aí acima, vindo do Algarve, para fazer balaustres com algumas particularidades. Só encontrou alguém capaz aqui. Pagou bem pago e não refilou.&#8221;</p>
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<p><strong>&#8220;São precisos muitos anos para se saber como lidar com o barro&#8221;</strong></p>
<p>Pretendentes a oleiros também batem à porta. Mas a maioria não passa da fase da curiosidade. &#8220;É difícil seguir o ramo. Para montar uma oficina, mesmo simples que seja, nem 30 mil euros. Depois, a cada factura de gás natural e luz é um susto&#8221;, explica.</p>
<p>O que &#8220;dá mais gosto&#8221; a Felica &#8220;é fazer material artístico&#8221; que lhe permita sair &#8220;da rotina&#8221; e experimentar &#8220;peças diferentes&#8221; do que tem habitualmente disponível. &#8220;Isso interessa-me muito, o azulejo também dá-me prazer&#8221;, refere.</p>
<p>Agora anda &#8220;a brincar&#8221; com caricaturas em barro vermelho. &#8220;Uma cliente abriu uma loja e desafiou-me a trabalhar nisto, ficou encantada. Viu-me numa feira na roda de oleiro, que acompanha-me quase sempre para trabalhar ao vivo. Quando estou bem disposto inspiro-me em indivíduos que dão boas caricaturas&#8221;, revela.</p>
<p>No ativo existirão atualmente na nossa região &#8220;cinco ou seis&#8221; ceramistas a trabalhar manualmente, num panorama em que &#8220;não faltam artesãos que de artesanato não têm nada.&#8221;</p>
<p>A aprendizagem &#8220;não é para todos, são precisos muitos anos para se saber como lidar com o barro&#8221; que não parece mas é um material cheio de segredos. &#8220;Ele ensina-nos todos os dias como trabalhar, passados estes anos agora é que estou a começar a aprender&#8221;, diz Felica que dinamiza, com outros amigos, a Associação Cultural dos Artistas de Esgueira.</p>
<p><span style="text-decoration:underline;"><img loading="lazy" data-attachment-id="292" data-permalink="https://saudadeaveiro.wordpress.com/2018/01/18/na-felica-o-oleiro-ainda-usa-a-roda-e-e-mestre-na-producao-de-azulejos/dsc_0042/" data-orig-file="https://saudadeaveiro.files.wordpress.com/2018/01/dsc_0042.jpg" data-orig-size="3104,1746" data-comments-opened="1" data-image-meta="{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;D2303&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;1516121638&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;2.87&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;700&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0.14285714285714&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;1&quot;}" data-image-title="DSC_0042" data-image-description="" data-medium-file="https://saudadeaveiro.files.wordpress.com/2018/01/dsc_0042.jpg?w=300" data-large-file="https://saudadeaveiro.files.wordpress.com/2018/01/dsc_0042.jpg?w=1024" class="alignnone size-full wp-image-292" src="https://saudadeaveiro.files.wordpress.com/2018/01/dsc_0042.jpg?w=3104&#038;h=1746" alt="DSC_0042" width="3104" height="1746" srcset="https://saudadeaveiro.files.wordpress.com/2018/01/dsc_0042.jpg 3104w, https://saudadeaveiro.files.wordpress.com/2018/01/dsc_0042.jpg?w=150&amp;h=84 150w, https://saudadeaveiro.files.wordpress.com/2018/01/dsc_0042.jpg?w=300&amp;h=169 300w, https://saudadeaveiro.files.wordpress.com/2018/01/dsc_0042.jpg?w=768&amp;h=432 768w, https://saudadeaveiro.files.wordpress.com/2018/01/dsc_0042.jpg?w=1024&amp;h=576 1024w" sizes="(max-width: 3104px) 100vw, 3104px" /></span></p>
<p><strong>Mais informação sobre Olaria Felica <a href="https://www.facebook.com/felica.olaria?hc_ref=ARSDL4QSYkIRW8VvzF9r6myTkn6zkEmoCrjGLs8Llvvq_icdlXHXC3F4NCzFuogGiNw" target="_blank" rel="noopener">aqui</a>.</strong></p>
<p><strong>Ver catálogo online Saudade, Aveiro ! <a href="http://saudadeaveiro.webnode.pt/products/louca-em-ceramica-olaria-artesanal/" target="_blank" rel="noopener">aqui</a>.</strong></p>
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