<?xml version="1.0" encoding="UTF-8" standalone="yes"?><oembed><version><![CDATA[1.0]]></version><provider_name><![CDATA[]]></provider_name><provider_url><![CDATA[http://tictank.pt]]></provider_url><author_name><![CDATA[PedroFonseca]]></author_name><author_url><![CDATA[https://tictank.pt/author/portuga/]]></author_url><title><![CDATA[Desconfinar a comunicação&nbsp;social]]></title><type><![CDATA[link]]></type><html><![CDATA[<p>O Jornal de Notícias (JN) apontou esta quinta-feira os &#8220;sinais de restrição no acesso às fontes e no direito de informação&#8221; oficiais, a propósito de uma conferência de imprensa da ministra da Justiça, replicando dificuldades em eventos semelhantes da Direção-Geral da Saúde (DGS) ou do Conselho de Ministros.</p>
<p>A situação pandémica tem servido para este tipo de acções, referidas diversas vezes desde a entrada em vigor do <a href="https://dre.pt/home/-/dre/130399862/details/maximized">decreto</a> presidencial de 18 de Março para o estado de emergência. O documento é claro: &#8220;os efeitos da presente declaração não afectam igualmente, em caso algum, as liberdades de expressão e de informação&#8221;.</p>
<p>No entanto, as queixas contra as violações destas liberdades surgiram nesse mesmo mês, quando o PEV <a href="http://www.osverdes.pt/pages/posts/covid-19--o-pev-repudia-qualquer-obstaculo-ao-exercicio-do-jornalismo-10830.php">questionou</a> o Governo &#8220;sobre jornalistas estarem a ser impedidos de fazer o seu trabalho por falta de colaboração das entidades oficiais&#8221;, exemplificando com uma denúncia do Sindicato dos Jornalistas (SJ) sobre a &#8220;falta de colaboração das entidades oficiais&#8221; e até ilegalidades na postura com a comunicação social.</p>
<p>O SJ apontava situações como as ocorridas em Pombal (presidência eleita pelo PPD/PSD), Ourém (coligação PSD/CDS) ou em Leiria (PS). Os jornalistas alertaram também para &#8220;dificuldades na confirmação de dados juntos dos serviços de saúde pública&#8221; ou de &#8220;reuniões de Câmara passarem a ser realizadas por videoconferência&#8221;, sem questões dos jornalistas.</p>
<p>A situação nas conferências de imprensa da DGS foi diferente mas as <a href="https://tictank.pt/2020/07/29/a-desinformacao-na-pandemia/">tentativas para as condicionar pareceram óbvias</a>.</p>
<p><strong>Falta de colaboração resolvida por informação</strong><br />
Em Maio, Pedro Jerónimo recordou recordou que, &#8220;quando vemos o Ministério da Saúde e a DGS a demorar quase dois meses para permitir o acesso dos jornalistas dos media regionais às conferências de imprensa diárias ou demais ministérios ou organismos públicos a tratarem de forma diferenciada os profissionais, dependendo do meio para o qual trabalham, não estamos a zelar por comunidades informadas&#8221;.</p>
<p>O investigador dos media falava da &#8220;falta de colaboração&#8221; das fontes oficiais, que obrigou o SJ a &#8220;informar&#8221; o referido ministério &#8220;sobre o que poderia configurar uma desigualdade de tratamento no acesso à informação, depois de ter sido alertado por dois órgãos de informação regional, excluídos das referidas conferências de imprensa&#8221; &#8211; situação resolvida uma semana após esse contacto.</p>
<p>O PSD não deixou cair as acusações. A 18 de Agosto, Duarte Marques <a href="https://expresso.pt/blogues/blogue_sem_cerimonia/2020-08-18-Governo-limita-liberdade-de-imprensa">escreveu</a> que &#8220;as possibilidades de questionamento dos jornalistas nas conferências de imprensa após as reuniões do Conselho de Ministros e nas conferências da DGS continuam altamente limitadas, como se o Estado de Emergência se mantivesse&#8221;.</p>
<p>O deputado estranhava ainda o &#8220;silêncio&#8221; do SJ &#8220;perante a perpetuação deste entrave ao trabalho dos profissionais de comunicação social&#8221;.</p>
<p>No dia seguinte, o SJ <a href="https://www.sabado.pt/portugal/politica/detalhe/covid-19-a-liberdade-de-imprensa-ainda-esta-confinada">considerou</a> que já se podia &#8220;acabar com excepções pensadas para o estado de emergência&#8221;, quando &#8220;um pouco por todo o país &#8216;há uma tentação do poder&#8217; para aproveitar a pandemia e &#8216;prolongar excepções'&#8221;.</p>
<p>Uma fonte não identificada do Governo explicou que &#8220;as regras se mantêm em vigor porque as conferências de imprensa acontecem em Lisboa, onde o estado de contingência continua a limitar os ajuntamentos a um máximo de 10 pessoas&#8221;.</p>
<p>Segundo a revista Sábado, essas regras passam por &#8220;antes de cada conferência de imprensa, os jornalistas recebem um mail com as regras em vigor&#8221;. A sessão de perguntas e respostas é presenciada pela RTP (&#8220;que cede o sinal a quem o solicitar&#8221;) e a agência Lusa (para texto e fotografias). Em regime rotativo, podem ainda estar presentes uma televisão privada (SIC, TVI ou CMTV), uma rádio nacional de informação, um jornal generalista e um outro online.</p>
<p>Os meios não presentes fisicamente na sala &#8220;podem pedir por e-mail para aceder à conferência via Zoom&#8221; mas antes decorre &#8220;um sorteio para que possam fazer duas perguntas&#8221;, desconhecendo-se como se processa esse sorteio e quem é &#8220;premiado&#8221;.</p>
<p><strong>É uma injustiça, é o que é&#8230;</strong><br />
Perante as acusações, o Governo <a href="https://www.tsf.pt/portugal/politica/governo-diz-que-formato-dos-briefings-nao-afetou-liberdade-de-imprensa--12559212.html">assegurou</a> esta quinta-feira que o &#8220;formato&#8221; dessas conferências &#8220;não afectou a liberdade de imprensa&#8221;.</p>
<p>A ministra de Estado e da Presidência respondia assim às críticas do PSD, alegando que a &#8220;liberdade de imprensa é um tema demasiado sério&#8221; para poder ser usado &#8220;só porque dá um bom título&#8221;.</p>
<p>Mas a ministra da Justiça tratou de desfazer essa afirmação ainda ontem. O JN escreveu em <a href="https://www.jn.pt/opiniao/a-pandemia-e-a-liberdade-de-imprensa-12609935.html">editorial</a> que, na apresentação da Estratégia Nacional de Combate à Corrupção 2020-2024, se viu &#8220;impedido de estar presente, bem como outros órgãos de informação&#8221;.</p>
<p>O ministério alegou que as recomendações de distanciamento social permitiam não só &#8220;limitar o número de participantes&#8221; na conferência de imprensa, como &#8220;seleccionar&#8221; os órgãos de comunicação social presentes, e até impossibilitar &#8220;perguntas à distância, apesar das múltiplas ferramentas tecnológicas que actualmente o permitem&#8221;.</p>
<p>O JN recordou que &#8220;os sinais de restrição no acesso às fontes e no direito de informação não são novos&#8221;, exemplificando com as conferências de imprensa da DGS ou do Conselho de Ministros que &#8220;impõem números restritos de presenças, embora num sistema rotativo que assegura um acesso equitativo de todos os meios de comunicação, sejam eles nacionais ou regionais&#8221;.</p>
<p>Esta não foi a opção da ministra van Dunem, demonstrando como perante a &#8220;tentação do poder&#8221; em usar a pandemia como forma de &#8220;prolongar excepções&#8221;, está na altura de desconfinar a comunicação social &#8211; à semelhança de outros sectores económicos e culturais.</p>
<p>[act.: O <a href="https://jornalistas.eu/sindicato-dos-jornalistas-condena-ataque-a-liberdade-de-imprensa-a-coberto-da-pandemia/">Sindicato dos Jornalistas</a> &#8220;vai pedir audiências ao Presidente da República, ao Tribunal Constitucional e ao Ministério da Justiça, que esta semana escolheu os Órgãos de Comunicação Social que quis para uma conferência de imprensa de apresentação da estratégia de combate à corrupção 2020-24&#8221;.]</p>
]]></html><thumbnail_url><![CDATA[https://tictank.files.wordpress.com/2020/09/minsaude-e1599188192314.png?w=1200&fit=440%2C330]]></thumbnail_url><thumbnail_width><![CDATA[440]]></thumbnail_width><thumbnail_height><![CDATA[155]]></thumbnail_height></oembed>